R-Evolução Anti Pedofílicos

 

2003

 

O QUE FAZER?

 

SOBREVIVENTES

 

-Você não deve sentir culpa ou vergonha de ter sido abusada(o) quando criança, porque você era apenas uma criança inocente que não podia se defender.

-Não foi sua a culpa do que aconteceu. NUNCA é culpa de que foi abusado. Você  não mereceu ser abusada(o) e você não fez nada de errado. O adulto que lhe molestou é o responsável por aquilo que foi feito a você.

-Pare de carregar um peso que não lhe pertence.  Liberte-se como eu o fiz, devolvendo a culpa e vergonha a única pessoa quem merece carregá-la – O ABUSADOR!

-Por favor, não negue ajuda a uma criança que precisa de você para ser libertada. Lembre, como você teria apreciado, se alguém tivesse acabado com o terror que você vivia no passado.

-Acredite em você mesma(o), mesmo se tiver suas primeiras memórias de ter sido abusada(o) sexualmente na infância, algum dia mais tarde na vida. Você terá reprimido as lembranças para não sofrer. Eu nunca esqueci o que aconteceu comigo, mas conheci muitos sobreviventes que recobraram memórias de terem sido abusados sexualmente na infância, anos mais tarde.

-Distancie-se do abusador e daqueles que o protegem. Ele nunca mudará e as pessoas que o apoiam também não respeitam os seus sentimentos. Você não deveria desperdiçar seu tempo e saúde esperando que eles mudem. Gente deste tipo não quer mudar.

 

-Ame a criança que você foi. Cuide de sua auto-estima pois você tem muito valor. Conviva com gente que respeite o que você realmente é. Seja honesta(o) consigo mesma(o). Mantenha somente relações verdadeiras e honestas.

-Não tente negar para si mesmo, que você tenha sido abusada(o), ou que isso não teve importância. Você pode enganar a quem quiser, mas não vai conseguir enganar a imagem que vê no espelho. Mais cedo ou mais tarde isso vai lhe pegar. Só tem uma saída: Apesar de doloroso, lide com o que lhe aconteceu, com honestidade e coragem.

 

 

-Procure ajuda terapêutica, junte-se a um grupo de suporte ou começe um, na sua comunidade.  Lute contra a origem de seus problemas. Siga o exemplo dos Alcólicos Anônimos e outros grupos de suporte. Compartilhando com outras vítimas, as pessoas se sentem menos sozinhas e também aprendem com as experiências de outros sobreviventes em como lidar com o abuso.

 

 

(19.04.04) - GRUPOS DE SUPORTE (Atendendo a pedidos)

Para começar um grupo de suporte, você só precisa ter vontade! Na Austrália, sobreviventes se reúnem através de organizações, como nos próprios grupos de sobreviventes, departamentos de saúde do governo, ou assistência social, Cruz Vermelha Internacional, universidades e assim por diante. Mas, até mesmo estes foram um dia iniciados por alguém ou um grupo que teve a intenção de promover alerta contra abuso sexual na infância.

Assim, você pode colocar recados em jornais ou internet, convidando pessoas para formar grupos, ou através dos AAs, Cruz Vermelha, orgãos governamentais ou outros. Qualquer um pode iniciar um grupo de suporte!

 

O mais importante é que as pessoas se esforcem para fazê-lo funcionar! Para que isso aconteça, deve haver a intenção de pessoas que querem se ajudar e ajudar a outros. É um trabalho de concientização.

 

Não é necessário, mas sempre ajuda, que estes grupos tenham a presença de profissionais de saúde, como psiquiátra, psicólogo ou assistente social que tenha conhecimento e interesse no assunto, para ajudar a assistir sobreviventes. Estes profissionais podem ser pagos ou ser voluntários. Muitos destes profissionais na Austrália são sobreviventes.

Você também pode se recusar a continuar a ser assistido por profissionais que não lhe são de ajuda, pois o grupo é para você e por você. Não desista, pois você encontrará as pessoas certas se você continuar tentando.

Cada pessoas tem a oportunidade de expressar seus sentimentos e contar suas histórias.

Um tempo deve ser estipulado para cada pessoa falar, assim como fazem os AAs, enquanto outros ouvem sem interrupção. Encontros seguintes, prosseguem alocando tempo de 20 minutos para cada sobrevivente expressar sentimentos e consequências de ter sido abusado na infância.

Você também pode usar estes grupos para compartilhar pesquisas, se educar e conhecer sobre as experiências de outras pessoas a respeito do assunto. Tudo é de grande ajuda!

 

Quanto mais se fala sobre abuso sexual na infância, mais nós podemos alertar as pessoas para sua existência, as consequências em nossas vidas, quem comete este tipo de abuso, como detectar e prevenir que isso aconteça novamente.

Nós sobreviventes, sabemos o quanto isso dói e quão difícil isso foi, e ainda é lidar com o abuso. Nós podemos educar as pessoas para o problema e ajudar nos uns aos outros no processo de cura, porque nós sabemos o que pessoas que sofreram de abuso sexual na infância sentem.

Sobreviventes que têm falado publicamente a respeito do assunto, tem encorajado outros pelo mundo afora a reconhecerem que foram abusados, para procurar ajuda e se engajar no processo de cura.

 

Muitos sobreviventes, autores de livros de auto ajuda, reconhecem a importância de tornar o assunto público, para ajudar outros sobreviventes a validar o fato de que, o que aconteceu com eles foi real e doloroso, e que se pode aprender como viver com isso.

Existem livros muito bons, para quem é fluente em inglês, contando as histórias de vítimas de abuso sexual na infância, para pessoas que querem entender melhor o que passaram e como se ajudar.

 

 

Contar sobre os abusos que sofremos, em grupos de suporte, é uma maneira muito efetiva de contar sobre o que vivemos pois, como nos sentimos compreendidos, isso ajuda a nos curar, ao mesmo tempo que ajudamos outros sobreviventes, enquanto também aprendemos mais  em como lidar com isso. Tenho ouvido e assistido a verdade e dor de muitas pessoas, em grupos de suporte, nos quais estive envolvida nos últimos anos.

Experimentei primeiramente o quão ponderosa a ajuda de alguém pode ser, através de minha própria iniciativa em agir para libertar outra vítima do outro lado do mundo, apenas ecrevendo uma carta a esta pessoa, encorajando esta a procurar ajuda!

 

Também, contando minha historia e minha intenção de export meu abusador, fiquei sabendo que toquei o coração de muitas pessoas em grupos de suporte e também em palestra na Austrália. Fico feliz em saber que, por causa de minhas palavras, mais sobreviventes procuraram ajuda, para se curar do abuso sofrido no passado.

Se cada um de nós que tenha sido abusado quando criancas, pudesse ajudar pelo menos UMA vítima…Assim, e se esta vítima se desse conta do quanto isso mudou a sua vida e esta pessoa também ajudasse outra vítima, nós quem sabe poderíamos mudar uma das maiores estatísticas de violência, que destrói tantas famílias e estraga as vidas de tantas pessoas.

Nós não percisamos carregar o mundo sozinhos em nossas costas! Já sofremos demais com o que passamos, mas nós podemos mostrar a saída a outros, trabalhando juntos e oferecendo suporte uns aos outros.

Fazendo a nossa parte, nós estaremos ajudando outros a atingir a liberdade que ansiamos por tanto tempo no passado, que tivessemos tido então. 

 

 

(19.04.04) - PERDÃO

O adendo a seguir, foi extraído de redação para ser editada para futura publicação, mas cujo assunto em foco decidi antecipar para complementar aspectos importantes que devem ser aqui esclarecidos, evitando assim mal interpretação por parte aqueles que tomam conhecimento do conteúdo deste site, bem como ou evitar manipulação de fatos por aqueles que tentam combater aquilo que estou tentando fazer com que as pessoas vejam.

Infelizmente, algumas das pessoas que irão se  opôr a esta minha manifestação serão justamente alguns sobreviventes de abuso sexual na infância ou familiares destes, devido a dificuldade que estas pessoas sentem para se libertar do conflito entre o certo e o errado causado pelo abuso.

Por outro lado, aqueles que nunca foram abusados geralmente são as pessoas mais receptivas e que reagem de maneira mais positiva, pois estes nunca estiveram sobre a pressão de ter que esconder o assunto ou de sentir vergonha pelo mesmo.

 

Não é minha intenção impôr as pessoas o que fazer, mas mostrar que já lidei com tais situações e que transpús as muitas fases ou tentativas, que fizeram o pedofílico ainda mais forte e confiante para re-abusar.

Perdão, é uma destas questões, que muitas pessoas irão argumentar a respeito e usar como justificativa para tentar reprimir atitudes racionais daqueles que buscam soluções práticas para um problema tão sério como abuso sexual na infância.

Gostaria de declarar abaixo, para aqueles que não tem conhecimento ou ainda não perceberam, baseado no progresso que alcancei como resultado de mais de 20 anos de terapias, grupos de suporte a nível internacional e muita leitura, a respeito do que fazer para combater abuso sexual na infância:

 

1- Este site não tem como objetivo expressar pontos de vista baseados em amor ou ódio, mas intenciona mostrar de forma objetiva e racional experiências vividas por alguém que, além de lutar a nível familiar, foi buscar respostas através de educação e pesquisa, em como lidar com abuso sexual na infância.

 

2- Pedofilicos não param de abusar com o avançar da idade e mesmo que tenham estado isolados de crianças durante períodos de suas vidas. Quando lhes é proporcionado novas  oportunidades, a maioria deles voltam a abusar pois suas personalidades não mudaram.

O caminho que leva um indivíduo a se tornar pedofilico, só pode ser alterado enquanto sua personalidade estiver em período de formação. Isto é, com ajuda ou terapia, durante a sua infância, adolecência ou início da fase adulta. Pedofilicos, que foram condenados e cumpriram pena, sabendo que não conseguem se dominar, tem hoje em dia alertado autoridades e inclusive dado entrevistas em canais de TV , como aconteceu recentemente no programa  da apresentadora Oprah, nos USA , para conscientizar as pessoas para a seriedade de seu problema.

Psiquiatras também admitem não saber como curar este problema e não podem garantir que um pedofilico não irá mais abusar.

(NOTA para versão em português: Para quem não se satisfaz com minhas palavras, e não tem conhecimento da língua inglesa para se educar a respeito do assunto através de literatura, pesquisas ou salas de conversas internacionais da internet, várias fontes de pesquisa em português podem ser encontradas na própria internet, sob palavras chaves como pedofilia, incesto, ou abuso sexual na infância, como uma referência inicial.)

 

3- Você pode perdoar aqueles que cometem abuso sexual na infância, quantas vezes você estiver disposto a fazê-lo. Isso é opção sua... Eu mesma perdoei meu pai, não só uma, mas várias vezes no passado. Mas, quem estava disposta a começar uma nova vida era eu e não ele!

Todas as vezes que o perdoei, ele traiu minha confiança novamente. Ele não só voltou a  abusar de mim, mas também de outras pessoas...

Meu pai também me desafiava a não poder apresentar evidências do que ele vinha fazendo, como forma de me intimidar e impôr seu domínio de poder sobre o meu silêncio. Várias das vítimas de quem eu suspeitei, vieram mais tarde a confirmar terem sido abusadas por ele. Isso, por si só, demonstra que as pessoas jamais devem baixar a guarda para pedofílicos. Também obtive este tipo de confirmação em literatura sobre o assunto e em grupos de sobrevientes.

 

4- A única pessoa que você precisa perdoar, para se libertar, é a si próprio(a), por ter se considerado causa do abuso, ter tido envolvimento no mesmo e não ter conseguido fazer nada para se libertar no passado.

Você não podia! Você era apenas uma criança! Isso lhe deixou fragilizada(o) e intimidada(o). Você era dominada(o)!

 

5- Infelizmente, perdão é usado como chantagem emocional, que abusadores e familiares usam para fazer a vítima se sentir mal por tentar reclamar, o que lhe é de direito.

Estes não pensam em ajudar a vítima, mas apenas em abafar aquilo que estes não querem confrontar para mudar o quadro do abuso.

Enquanto o perdão for usado como justificativa ou desculpa para não agir e impedir que novos abusos sejam cometidos, infelizmente você estará colaborando para perpetuar o problema.

 

Para muitas pessoas, será dificil perceber que só consegui colocar em prática este site porque me livrei do acorrentamento do sentimento de culpa e da obrigação de ter que perdoar, em que vivi durante muitos anos!

Hoje, me sinto livre e o meu manifesto vai muito além daquilo que alguns consideram como puro propósito de remoer dores causadas pelo passado ou de amarguras.

Meu principal objetivo além de alertar e educar, é de mostrar uma atitude desvinculada de culpa, vergonha, perdão e outros conflitos, para apontar o caminho de liberdade a sobreviventes que quiserem se livrar da lavagem cerebral manipulada ou imposta por aqueles que ajudam a manter as coisas do jeito como elas ainda estão hoje.

 

Este site foi lançado com a intenção de mostrar um novo ângulo, para aqueles que buscam soluções que não foram encontradas dentro dos padrões que hoje são considerados convencionais e que até então reprimem sobreviventes e a sociedade em geral, que trata do assunto como um tabu que a maioria das pessoas sente disconforto em discutir.

Quero compartilhar com outros, que existe uma luz no fim do túnel e que você pode transformar um passado que você não pode mudar, bem como os erros das pessoas envolvidas, em um trampolim para atingir algo positivo para as futuras gerações.

Assim como em outras esferas de problemas que parecem não ter solução, é preciso parar com o negativismo derrotista que faz as pessoas repetirem a famosa expressão: “ NÃO TEM JEITO MESMO...” Este tipo de atitude faz parte das consequências que o abuso imprimiu nas pessoas.

 

Nada posso fazer por aqueles que não querem ou não conseguem ver isso! Mas, espero que um dia estas pessoas também possam transpôr suas barreiras. Pois, não se pode  reclamar liberdade, enquanto se é escravo do silêncio e se contribui para que um problema continue.

Ainda assim, sabendo de o quanto é dificil quebrar estas barreiras, estou consciente de que as pessoas têm o direito de optar por ficar em silêncio se assim escolherem.

Entretando, você também deve estar ciente de que, quem cala, consente.

Além disso, quero aqui protestar contra aqueles que interferem contra quem quer mudar a situação, e impedem que vítimas sejam libertadas e que justiça seja feita.

 

6- Você não tem culpa dos atos ou consequências resultantes, do que quer que venha a acontecer, pelo fato de você declarar que foi abusada(o). É um direito seu protestar contra aqueles que lhe causaram sofrimento, bem como de ajudar outras vítimas.

Não se deixe ser chantageado ou responsabilisada(o) pelo que outros irão fazer pelo fato de você ter trazido o abuso à tona. As escolha dos outros, é de responsabilidades destas pessoas somente! Se estes têm dificuldade em distinguir o certo do errado, o problema é deles e não seu. Assim como eu fiz, você pode superar isso também.

 

Olhe com alegria, para o benefício que você pode trazer para as vítimas que você puder ajudar. Isso é o que conta!

Aprendi, após todos este anos que, lutar vale a pena, ainda que a luta seja dura.

Como sobreviventes, podemos assim, alcançar algo muito maior do que aquilo que perdemos, se estivermos de olhos e coração abertos para perceber a evolução que conquistamos.

A escolha e sua!

 

"A melhor maneira de prevenir abuso sexual na infância é quebrando o silêncio, educando e agindo."

  

 

 

 

 

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