R-Evolução Anti Pedófilos*

*(R-Evolução Anti Pedofílicos)

 

2003

 

 

 

 

O QUE DEVE MUDAR

 

TERAPEUTAS

 

 

 

2003 - TERAPEUTAS

 

-Acredite sempre, se um paciente lhe contar que tem memórias de ter sido abusado sexualmente na infância.

 

-Jamais faça alguém acreditar que ela ou ele quis ser a namorada do pai ou o namorado da mãe, quando eram crianças. Isto é ainda mais destrutivo para os sobreviventes. Isto é uma indução do reconhecimento da culpa da(o) paciente, fazendo a pessoa acreditar que ela mesma tenha permitido que o abuso acontecesse.

 

A “Teoria da Sedução”, que antecedeu a conhecida teoria do “Complexo de Édipo” já mostrava que as neuroses e doenças emocionais tinham origens em abusos sexuais na infância. Entretanto, Freud não conseguiu confrontar o fato de ter descoberto que entre tantas pessoas que tinham memórias de abuso sexual na infância, se encontravam pessoas de sua própria família, bem como a maioria de suas pacientes que eram membros das elites europeias. Assim, ele resolveu disfarçar a verdade criando teoria do "Complexo de Édipo". Se você não tiver conhecimento disso, atualize-se.

Leia Masson, Jeff Moussaieff. “The Assault on Truth: Freud’s Suppression of The Seduction Theory.” (Assalto à Verdade - Supressão da Teoria da Sedução de Freud) New York: Farrar, Straus, & Gilroux (19 Union Sq. W. New York, NY 10003), 1984.

 

                    

                                 

               

2018 - ADENDO: A ORDEM DOS FATOS

Fiz questão de manter o texto original acima, o qual criou polêmica quando me manifestei inicialmente ao lançar este website.

Estou esclarecendo mais sobre o assunto das teorias freudianas com a "Teoria da Sedução" e a teoria do "Complexo de Édipo", para que as pessoas que não estudaram psicologia e especialmente aquelas que ainda não leram sobre as descobertas de Jeff Moussaieff Masson, possam entender ao que me refiro. Também acrescento no último parágrafo deste título, esclarecimentos sobre histeria.

 

Em 2004, quando retornei ao Brasil para depor no processo de denúncia de meu pai, fui convidada a participar de palestras e tive um encontro com uns 100 psiquiatras e médicos no Hospital de Clinicas de Porto Alegre no RS.

O encontro foi organizado pelo diretor do hospital e membro do conselho de ética da AMRIGS. Na oportunidade, recebi agradecimentos e também abraços de solidariedade de vários destes profissionais de saúde, enquanto que outros ali se mantiveram distantes, talvez me observando como uma "curiosidade".

Também me foi dito por uma pessoa que ajudou a organizar o evento que, grande número de terapeutas da área de psicologia se opôs a me receber na época, pois diziam estes que eu FALAVA MAL DE FREUD.

Assim, para esclarecer sobre o que eu havia descoberto a respeito de Freud na época, a figura que foi o "pai da psicanálise" e que tantos profissionais da medicina e psicologia no Brasil tem endeusado até os dias de hoje, exponho abaixo as informações que podem ser verificadas na bibliografia acima referida.

 

-Jeffrey Moussaieff Masson, o autor da obra polêmica que expôs o "encobrimento da verdade" sobre as descobertas originais de Freud, era o então psiquiatra Canadense que se tornou diretor guardião do acervo de Sigmund Freud nos anos 80. Foi então que Jeff Masson, descobriu que entre o vasto material de pesquisas do famoso criador da psicanálise, estavam muitas cartas que este escrevera há mais de um século a seu colega e amigo Willielm Fliess e outros colegas.

Entre as cartas que deram origem a obra de Masson, estavam discussões sobre relatos e tratamentos de tantas das pacientes de Freud, que este confidenciava com seu amigo Fliess. Jeffrey Masson obteve permissão de Anna Freud, a filha de Sigmund Freud, para publicar primeiramente estas cartas em um livro.

 

Entre estas cartas, estava aquela que foi a principal descoberta de Jeff Masson sobre o verdadeiro motivo pelo qual Freud havia decidido negar as descobertas que deram origem a sua "Teoria da Sedução", para posteriormente criar o "Complexo de Édipo".

O problema é que até na publicação do livro sobre as cartas de Freud, partes do conteúdo foi OMITIDO, por ordem de Anna Freud.

 

Quando Freud admitiu a Fliess que, ao divulgar a teoria que expunha abusos sexuais na infância como os motivos que levaram tantas de suas pacientes a adoecerem emocionalmente, ele estava perante um problema muito sério que afetava o futuro de sua carreira profissional.

Entre estas pacientes, estavam filhas de membros importantes da sociedade europeia, incluindo alguns de seus colegas.

Ele também reconhecia que se continuasse a defender suas descobertas originais, teria que incluir também seu próprio pai entre os tantos perversos que descobrira entre familiares de suas pacientes.

Após a falta de receptividade de seus colegas perante e a apresentação de sua teoria original, Freud confidenciou a Fliess que ele se via isolado e já não recebia mais o apoio de antes.

 

Além disso, familiares de suas pacientes passaram a intervir nos tratamentos e interromperam as terapias. Com a retração de pacientes, ele antevia dificuldades financeiras e falta de recursos para suas pesquisas.

Assim, para continuar a ter pacientes e ter reconhecimento profissional, ele teria que mudar o que ele havia descoberto anteriormente a respeito da verdade sobre o que acontecia nos lares das elites que ele tratava. Freud justificava nesta carta a Fliess, os motivos pelos quais teria que se CORROMPER para ter o futuro profissional que desejava.

 

Assim, ao criar a "Teoria do Complexo de Édipo", Freud redirecionou as origens de comportamentos sexualizados na infância e também das memórias de abusos sexuais, identificando as mesmas como FANTASIAS.

O próprio desejo que Freud tinha de "matar o seu proprio pai" por tê-lo abusado na infância, foi identificado como uma característica do "Complexo de Édipo", em que era dito que meninos hostilizam o pai por causa do desejo de seduzir suas mães.

Isso serviu como uma justificativa aceitável para as pessoas na época e ao longo do último século, para encobrir a raiva que as vítimas sentiam de seus pais abusivos.

 

A teoria do "Complexo de Édipo", fez com que as pessoas vissem as crianças com tendências sexuais perversas. Além disso, este princípio justificava ou culpava as crianças por memórias que pudessem ter de "possíveis" experiências sexuais com os pais, embasado na proposta de Freud sobre o desejo sexual precoce na infância.

O "Complexo de Édipo" (desejo sexual de meninos pela mãe) e "Complexo de Electra" (desejo sexual de meninas pelo pai) garantiu o sucesso e futuro profissional de Sigmund Freud e o tornou famoso. Esta fama e sucesso, foi conseguida às custas do encobrimento da verdade sobre abuso sexual na infância, em detrimento da sanidade mental das vítimas!

 

 

Quando estive no Brasil em 2004, vários psicólogos me asseguraram que Freud reconheceu que havia estado errado e que precisava corrigir sua teoria, e que depois a mudou. Mas estas pessoas não conseguiam esclarecer ou reconhecer que o maior erro de Freud foi esta mudança que ele fez e que foi para pior!

Na época, eu havia tomado conhecimento através de outras sobreviventes e assistentes sociais na Australia, que Freud havia cometido este erro. Mas, eu não conhecia detalhes cronológicos, uma vez que a publicação de J.M. Masson era difícil de se adquirir. Eu também não sabia o que era ensinado sobre esta cronologia dos fatos nos estudos de psicologia do Brasil, sobre os motivos que levaram Freud a mudar suas teorias, e não entrei em argumentos sobre isso com as profissionais de psicologia então.

Mas, alguns anos mais tarde, depois de ter adquirido e lido a obra de Jeff M. Masson, apresento abaixo um resumo sobre o que ele expôs na obra referida acima, bem como a verdadeira cronologia das teorias abordadas.

 

1)  Primeiro, em 21 de Abril de 1986: Freud contou a verdade sobre suas descobertas de abuso sexual na infância, com a "Etiologia da Histeria", também conhecida como "Teoria da Sedução".

 

2) Anos mais tarde, em 21 de Setembro de 1897: Freud escreveu a importante carta  a Willielm Fliess, em que confidenciava os motivos do porquê precisaria mudar o que havia descoberto anteriormente. Foi depois disso que Freud criou então a teoria do "Complexo de Édipo", a qual não foi baseada em uma descoberta e sim em "conveniências para poder prosseguir com sua carreira profissional com sucesso". Desta forma, Freud tornou-se famoso ao contribuir para abafar as verdadeiras origens das doenças emocionais, bem como os sinais e testemunhos de abuso sexual na infância.

 

O que viria em consequência da descoberta de J.M. Masson sobre este assunto, foi o estopim para que o mesmo fosse hostilizado pela classe médica e psicanalítica, da mesma forma como Freud havia sido isolado quando expôs sua teoria inicial que demonstrava que as origens das doenças emocionais estavam nos abusos sexuais na infância.

Ao perceber que estava perante uma classe profissional que preferia se esconder atrás de mentiras, Jeff M. Masson escreveu mais outros livros sobre isso e abandonou uma brilhante carreira psiquiátrica.

 

Assim, é preciso clarificar que, na frase do texto publicado anteriormente neste website que dizia:

A “Teoria da Sedução” de Freud contribuiu para que muitos sobreviventes tenham se sentido reabusados emocionalmente em terapia, ao serem relembrados de tais falsas verdades, faltou a palavra SUPRESSÃO antes da “Teoria da Sedução” de Freud.

Eu me referia a omissão da verdade e a interpretação sobre a nova sedução proposta posteriormente por Freud. As pessoas que haviam adoecido emocionalmente e que haviam sido "seduzidas" por seus pais durante a infância, vinham sendo desacreditadas por seus psiquiatras há um século pois, por causa da teoria do "Complexo de Édipo". Assim, foram estas vítimas que passaram a ser identificadas como "sedutoras" e como quem tinham fantasias sobre relações sexuais com seus pais.

Assim reitero que:  

“Teoria da Sedução” de Freud contribuiu para que muitos sobreviventes tenham se sentido reabusados(as) emocionalmente em terapia.

 

A própria palavra "sedução", como também aponta Jeff Masson em sua obra, foi uma INFELIZ escolha de Freud para a denominação que definiu suas descobertas originais pois, esta implica em participação, consentimento e deleite da pessoa alvo do envolvimento sexual, quando na verdade o que Freud descobriu foram ABUSOS!

Peço desculpas pela possível confusão de termos e de explicações incompletas a respeito no texto inicial sobre o assunto. Mas ainda assim, eu SUGERI na introdução deste texto em meu texto inicial, que os profissionais da área de saúde mental LESSEM esta obra e se atualizassem dos fatos. Assim, aqueles quem NÃO leram, e que diziam que eu falava mal de alguém, não tinham conhecimento destes FATOS.

 

Aproveito da oportunidade para relembrar também o que minha própria psiquiatra me disse na década de 80, quando frequentei psicoterapia intensiva depois de tentativa de suicídio.

Ela afirmava: “Se teu pai não tivesse confirmado que ele te abusou sexualmente, eu JAMAIS poderia ter acreditado no que tu me contas, pois a maioria das pacientes fantasia sobre isso.”

Afinal segundo ela, sem esta confirmação, ela teria me visto como mais uma de suas tantas pacientes que fantasiavam sobre lembranças de relações sexuais com seus pais, conforme o famoso termo "Freud explica" através do "Complexo de Édipo".

 

Olhando hoje de volta ao passado, me pergunto: Como puderam os terapeutas não reconhecer o sofrimento de seus pacientes ao longo de tanto tempo? E, quantas destas vítimas de abuso sexual na infância foram levadas a desperdiçar décadas de suas vidas com terapias intermináveis que não permitiram que elas mesmas reconhecessem o que lhes aconteceu e nem se curar do sentimento de culpa dos abusos que sofreram?

Não é à toa que tantas destas pessoas passam o resto de suas vidas drogadas com medicamentos farmacológicos, para conseguir suportar o sofrimento das memórias de abusos e a frustração da incapacidade de acreditar em suas próprias lembranças, que as faz duvidar de sua percepção da realidade e sanidade mental! 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2003 - SUGESTÃO DE UMA SOBREVIVENTE PARA TERAPEUTAS 

-Seja participativo com sobreviventes. As pessoas precisam bem mais do que alguém que sente em frente delas, como uma rocha, e apenas ouça. Sobreviventes precisam de alguém que lhes oriente em como lidar com este problema, mesmo que a pessoa não saiba onde quer chegar.

Se eu pudesse ter aprendido durante os muitos anos de terapia, tudo o que aprendi em outros poucos, por compartilhar experiências com outros sobreviventes e lendo muitos livros a respeito do assunto, eu não teria andado em círculos por tanto tempo.

 

-Por favor, não tente convencer sobreviventes que seria saudável se estes pudessem "resolver o seu problema" se reaproximando com o abusador, para viver em paz e em ambiente familiar.

 

-Você seria capaz de aceitar ser o terapeuta de um pedófilo?

-Você poderia realmente garantir que, uma pessoa que chegou ao ponto de praticar sexo com crianças, poderia ser "curada"?

-Você deixaria uma criança SUA, aos cuidados de um pedófilo?

 

Por que então tantos de vocês promovem princípios de que pedófilos podem ser tratados ou "curados"?

Por que vocês não convencem os juízes, políticos e a opinião pública de que manter estes CRIMINOSOS em terapia não irá fazer diferença?

-Você sabe o que os seus pacientes pedófilos fazem, quando não estão sob a sua direta supervisão?

-SE você ainda não sabe que eles encobrem o que fazem e que agem secretamente para enganar as pessoas, você está iludido!

 

É isto tudo, por causa de dinheiro?

Tendo a atitude de "curar pedófilos" e de tentar "manter a família unida", você estará colaborando para que abuso sexual na infância se perpetue!

-Você deveria ser uma figura de importância, que deveria nos ajudar a educar as pessoas sobre o sério problema da pedofilia e convencer as autoridades a ENCARCERAR estes monstros imediatamente e por período PERMANENTE!

 

Conforme visto acima, a atitude da maioria dos psiquiatras e também psicólogos, em relação a seus pacientes, vêm sendo baseada há mais de um século nas teorias de Sigmund Freud. isso se deve ao treinamento professional que estes profissionais de saúde tiveram e que ainda são vigentes nas instituições de ensino no Brasil.

Por causa disto, pessoas foram e ainda têm sido levadas a acreditar que elas procuraram contato sexual com seus pais e mães na infância, para preencher os requisitos do "Complexo de Édipo", que supostamente deveria acontecer em toda infância saudável, como parte do desenvolvimento e identidade sexual do indivíduo.

 

2018 - ADENDO: VOCÊ LEMBRA DE SEDUZIR SEUS PAIS?

-SE você que é psicólogo ou psiquiatra, ainda acredita que a teoria do "Complexo de Édipo" seja verdadeira, que isso deveria ser uma manifestação saudável da qual você não teria motivos para ter vergonha, então você certamente deve lembrar então das vezes em que você mesmo(a) tentou seduzir a sua mãe ou seu pai, não e' mesmo? Mas convenientemente, Freud também sugere que a pessoa "esquece" destas experiências! Sabendo do que sei hoje, lamento ter que apontar que, sugerir isso aos pacientes de abuso sexual e uma forma de ABUSO EMOCIONAL e isso é uma grande COVARDIA!

E, se ainda acreditam reprimimos as memórias destas chamadas “fantasias sexuais”, como é que os psiquiatras ou psicólogos explicam então que as vítimas de abuso sexual na infância como eu, não tenham estas memórias do "Complexo de Édipo"? Muito pelo contrário, temos vividas lembranças de detalhes das memórias dolorosas e traumáticas dos abusos, mas não do desejo sexual por nossos pais! Não seriam as memórias DOLOROSAS aquelas que REPRIMIMOS, em vez das "saudáveis"?

 

 

Assim, reitero o que eu dizia originalmente neste website em 2003:

Esta bobagem enganosa e mal concebida de Freud, fez com que mulheres e homens que tenham sido abusados sexualmente na infância, sentissem aumentado seu sentimento de culpa, mesmo que terapeutas nos tenham dito que não fomos responsáveis pelo que aconteceu.” 

 

 

 

 

 

 

2018 - ADENDO: HISTERIA

Vale lembrar que, o famoso termo “HISTERIA”, que vem da palavra grega "hystera" ou útero, foi usado for Freud porque a maioria dos pacientes que ele descobrira que tinham memórias de abuso sexual eram MULHERES. Assim, o termo se tornou uma chacota para rotular as mulheres como quem FANTASIA sobre relações de abusos. Infelizmente por causa disso, as vítimas que foram traumatizadas e que perdem o controle emocional e comportamental, devido a raiva causada por tais memórias, são menosprezadas pelas pessoas. 

A mesma sociedade machista que não reconheceu o que Freud havia inicialmente descoberto sobre as origens das doenças mentais serem causadas por abuso sexual na infância, impede ainda hoje que as vítimas demonstrem reações de REVOLTA pela frustração em relação ao que realmente aconteceu sem que o desejássemos, e sobre o qual não podemos apresentar evidências. Esta mesma sociedade que se OMITE, ainda segue taxando as vítimas de abuso sexual na infância de DESIQUILIBRADAS, LOUCAS e FANTASIOSAS.

 

A mesma sociedade machista não reconheceu as descobertas do Dr. John Bowlby, o qual trabalhou com meninos delinquentes em Londres e comparou casos de soldados traumatizados pela guerra com crianças que foram separadas de suas famílias. Ele estudou os efeitos de hospitalizações, mostram como ate mesmo breves separações de criancas de seus pais, contribuíam para o sofrimento emocional das mesmas. Segundo o “best seller” de 2014 do Psiquiatra Dr. Besser Van Der Kolk, “The Body Keeps The Score” (O Corpo Guarda as Marcas), o Dr. Bowlby havia sido considerado como "persona non grata" pela comunidade psicanalítica britânica em 1940, pois este médico expunha que distúrbios comportamentais de crianças eram resultados de negligência, brutalidade e separações, em vez de fantasias sexuais. Ele dedicou o resto de sua vida desenvolvendo teorias sobre vínculos.

 

As pessoas esquecem ou negam a si mesmas que, nenhuma delas está isenta de descobrir um PEDÓFILO em suas relações pessoais ou sociais e de ter aqueles a quem mais amam como alvo destes predadores!

 

 

 

 

 

 

 

 

2003 - CRIANÇA NÃO BUSCA SEXO, E SIM AMOR!

É hora de esclarecer que estas crenças nos causam danos e que terapeutas deveriam passar a prestar mais atenção ao que ouvem, para aprender com as experiências vividas por seus pacientes, em vez de continuar aplicando regras antigas e já caídas por terra.

Vejam que Jeff Masson publicou em 1984 a sua obra que desmascarou o que Freud mudou há mais de um século, mas os profissionais da psiquiatria no Brasil ainda resistem em seguir algo que o resto do mundo já deixou para trás há várias décadas!

Não estou tentando convencer as pessoas a não procurarem psicoterapia, nem afirmando que “todos” os terapeutas mantêm a mesmas antigas atitudes. Estou chamando atenção que, enquanto os profissionais desta área não se atualizarem e sobreviventes continuarem a ser convencidos que eles deveriam simplesmente esquecer o passado e se estufar com antidepressivos, para se anestesiar do sofrimento de algo que são induzidos a acreditar que estão IMAGINANDO, as coisas não podem melhorar! 

 

 

2018 - ADENDO: AS CRIANÇAS SÃO PURAS

Vejam que em 2003 eu já apontava acima sobre que a criança busca amor e não sexo. Esta postura foi baseada em minhas próprias percepções de quem foi vítima das manipulações de um pai pedófilo.

Por isso, gostaria de acrescentar abaixo mais uma importante referência sobre o que eu dizia acima, como mais uma sugestão de atualização de conhecimentos para terapeutas que precisam compreender seus pacientes que foram vítimas de abuso sexual na infância, para que realmente possam ajudar seus pacientes em suas jornadas de cura.

 

Sugiro aos terapeutas que ainda se apegam a teoria do "Complexo de Édipo/Electra", que também leiam sobre a obra de Sandór Ferenczi, "Confusão de Linguas".

 

 

 

 

Ferenczi foi um dos fiéis seguidores de Freud durante o período em que a "Etiologia da Histeria" foi originalmente apresentada. Ele também defendia ideias convergentes com as descobertas iniciais de Freud, que identificavam os efeitos dos abusos sexuais na saúde mental das pessoas.

Mas, Ferenczi abordou seu principal enfoque na diferença de linguagem entre o abusador e a criança. Ele apontou a clara diferença de postura de relações de linguagem entre a inocência e pureza da criança, na qual o desejo era de AFETO ou AMOR, contrária ao adulto que explora a ingenuidade da criança e deseja SEXO.

Assim, se existe "CRIANÇA EROTIZADA"...ou se alguns se tornam assim, isso é resultado da convivência com ADULTOS abusivos que as corrompem, fazendo com estas vítimas que confundam ABUSO com AFETO!

 

Jeff Masson explora também a obra de Ferenczi em seu polêmico livro que colocou a "ética" de Freud em cheque, com evidências de publicações e cartas entre Freud e Ferenczi, bem como com outros membros da sociedade psicanalítica da época. Masson mostra como Freud contribuiu então e posteriormente para que as teorias de Ferenczi não fossem aceitas para apresentação em congressos e como suas publicações, que se tornaram uma divergência dos princípios de Freud, fossem ridicularizadas e "esquecidas" ao longo dos séculos. Quando Ferenczi morreu, os "ilustres colegas" se referiram a ele como um "coitado".

 

 

 

 

 

 

 

 

2003 - RECONHECIMENTOS

Quero aproveitar para dizer que, acredito nas boas intenções de muitos profissionais da psiquiatria e quero reconhecer pessoas como a Dra. Aida, que foi por muito tempo a única pessoa que me ajudou a conseguir manter minha lucidez em relação as manipulações e reabuso emocional que sofri de pessoas de minha família. Quero que ela saiba que sou muito agradecida por ela não ter me abandonado quando tanto precisei dela.

Apesar disso, reconheço também que ela foi "moldada" pelo que lhe foi ensinado através de seus estudos de psiquiatria e que tiveram base nas teorias de Freud. Mas, reitero mais uma vez que, como ela foi condicionada pelos ensinamentos freudianos, SE meu pai não tivesse confirmado a ela que ele havia me abusado sexualmente, eu certamente seria mais uma de suas tantas pacientes FANTASIOSAS!

 

Da mesma, forma reconheço e aprecio a ajuda que a equipe de aconselhamento do Serviço de Suporte a Vítimas de Assalto Sexual da Gold Coast tem feito por mim.

O que alcancei e o que estou fazendo hoje é, de certa forma, uma vitória destas pessoas também.

 

 

2018 – ADENDO: RECONHECIMENTO A PESQUISADORAS BRASILEIRAS

Quero também fazer um importante reconhecimento sobre o PIONEIRISMO dos trabalhos de autoras brasileiras que há muito tempo têm estado atualizadas sobre o assunto.

Gostaria de mencionar a importância das pesquisas das Dras. Maria Amélia Azevedo e Viviane Guerra, do RECRIA Projetos. Elas foram as pesquisadoras das primeiras publicações sobre abusos sexuais na infância, divulgadas no Brasil pelo LACRI/USP (Laboratório da Crianca da USP). Eram elas que estavam inicialmente por trás das estatísticas de maus tratos na infância e de sinais de abusos sexuais, entre as primeiras informações que as pessoas liam sobre o assunto nos jornais da grande mídia no Brasil.

 

Gostaria de tornar público o trabalho de pesquisas delas, em que as mesmas já alertavam nos anos 90 no Brasil, sobre as mesmas informações que apontei sobre as descobertas de Jeff M. Masson e também pelas obras de Ferenczi.

Quando lancei este website inicialmente em 2003, elas comentaram em apoio a minha iniciativa no guestbook e contavam que havia publicado 11 livros sobre violência doméstica  e abusos a infância. Várias de suas obras estão listadas no link de LIVROS, encontrado na página de Índice deste website.

 

A Tese de Doutorado da Dra. Maria Amélia Azevedo na USP em 1991, “INCESTO PAI-FILHA: UM TABU MENOR DE UM BRASIL MENOR”, já dispunha da tradução da carta ORIGINAL de Sigmund Freud, datada em 21 de Setembro de 1897 a Willielm Fliess, a partir da página 213.

Vejam então que, eu não havia sido a primeira a alertar sobre o assunto no Brasil.

 

 

 

 

Me foi contado que elas tentaram levar Jeff M. Masson ao Brasil nos anos 90, na época em que ele lançou seu livro polêmico sobre Freud. Elas intencionavam fazer uma conferência com profissionais de psicologia e psiquiatria, para que estes ficassem a par das novas descobertas sobre encobrimentos que fundamentaram as disciplinas de saúde mental. Infelizmente, não houve interesse que quem pudesse colaborar para que isso viesse a acontecer e elas não receberam os fundos necessários para tal.

 

Apesar destas informações estarem disponíveis há tanto tempo, quando eu retornava ao país em 2004, eu fui subestimada pelo conselho de psicologia por não ser da área de saúde. IMAGINEM SÓ, uma sobrevivente de abuso sexual na infância querendo ensinar algo novo para estes profissionais!

Portanto, não me surpreende que a sociedade de psicologia de Porto Alegre no RS me viu como alguém não desejável de ser ouvida, até porque eu questionava algo que afetava a forma como eram conduzidos os tratamentos de pacientes vítimas de abuso sexual na infância, e que tiraria tais profissionais de sua zona de conforto!

Parece que muitos esquecem de onde vêm as informações das pesquisas nas quais embasam sua formação.

 

Assim, porque teria a classe terapêutica que via Freud como um “Deus”, interesse em olhar para a verdade que requeria mudanças?

Mas, como esperavam estes profissionais orientar seus pacientes para algo que eles(as) mesmos(as) não conseguiam fazer?

 

 

Nem se poderia esperar que não haveria interessasse em questionar as coisas, quando ignorar algo que não fazia sentido aos pacientes, trazia a garantia de longos anos de psicoterapia e ganhos vultuosos para estes profissionais.

Não estranho que por tantos anos eu mesma não tenha sido direcionada para ser libertada pela verdade.

 

Quando vivemos em uma sociedade fundamentada em conveniências fundamentadas em "enganos" (mentiras), aqueles que são lesados por este tipo de visão só podem adoecer e continuar doentes!

Desta forma, não estranho que por tantos anos eu mesma não tenha sido direcionada para ser libertada pela verdade. E, só consegui descobrir isso e saber dos fatos que criavam esta condição, depois que deixei o Brasil e encontrei outras pessoas que encontraram respostas para a mesma verdade que eu buscava!

 

Assim, não me surpreendi que as referidas pesquisadoras do Lacri/USP, também não tenham recebido o apoio merecido para levar Jeff Masson ao Brasil! Não falo aqui em nome delas, mas conheço o trabalho delas e coloco aqui minhas próprias conclusões como uma sobrevivente que trilhou uma estrada difícil, obstruída pela rigidez da psicoterapia tradicional e como alguém que conseguiu avançar na cura depois de conhecer a verdade que eu já reconhecia e sentia dentro de mim!

 

 

 

 

 

 

 

 

2003 - O QUE OS PACIENTES DESEJAM  

-É preciso que os médicos ou terapeutas, que geralmente se colocam em pedestais, sejam mais humildes e que parem de tentar convencer as pessoas de que eles sabem mais sobre o assunto do que daqueles que passaram pelo problema e tamanha dor.

Por outro lado, muitos terapeutas que escolheram tal profissão o fizeram justamente por terem sido abusados na infância, mas o que eles aprenderam foi controlar a si próprios, sufocando seus sentimentos e mais tarde tentam aplicar os mesmos princípios em seus pacientes. Assim, profissionais propagam um jogo de esconde–esconde em relação a confrontação do real problema de abuso sexual na infância.

É hora de acordar, olhar a coisa de frente e exigir que se acabe com isso. Precisamos de terapeutas que nos respeitem por aquilo que sabemos e sentimos, que conduzam tratamentos que venham de encontro com nossas necessidades de verdade, em vez de continuarem a tentar resolvendo os conflitos das pessoas simplesmente através do uso de drogas e teorias absurdas.

 

Em vez de esbarrar em um muro intransponivel, queremos direções que nos permitam ver que existe uma luz para onde nos dirigimos na trilha de nossa jornada de cura!

 

 

 

 

Queremos compaixão, apoio e esperança pois, a DEPRESSÃO é a doença da FALTA DE ESPERANÇA!

 

Profissionais da classe médica deveriam também nos ajudar a ganhar apoio e respeito público, para finalmente avançarmos na cura, educar e prevenir tamanho tipo de abuso, em grande escala.

Nos é dito que, a “ética médica” deve manter em segredo informações sobre pacientes. Mas questiono que ética e esta, quando coloca crianças indefesas em risco, da mesma forma que permite que pessoas morram em corredores de hospitais por não poderem pagar tratamentos, em tantos países do mundo?

Concordo plenamente com as palavras de alguém que conheço, que disse:

 

"Da mesma forma que, sigilos de contas bancárias são quebrados em casos de desvio ou mau uso de dinheiro por políticos corruptos ou traficantes de drogas, médicos ou terapeutas deveriam ser obrigados a contar o que sabem sobre seus pacientes pedófilos, para proteger crianças!"

Na omissão em fazê-lo, estes profissionais deveriam ser considerados como coniventes com o crime de perpetuação de abuso sexual na infância.

 

Muitos sobreviventes e organizações que lutam contra abuso sexual na infância clamam que geralmente a classe médica não tem agido para o benefício das vítimas e como isso ajuda a perpetuar que abusadores se mantenham livres e ativos para fazerem novas vítimas.

 

Violência estrutural ou violência institucional mantém e reforça a violência de um indivíduo abusivo. A violência de uma particular “verdade” médica pode adicionar e reforçar a violência do abuso” – Entendendo Incesto- Um livreto de mulheres para mulheres (Undesrtanding Incest - A booklet for women by women.). BRICC, Rapid Offset Printing, Austrália, 1996.

Infelizmente, até poucos anos atrás, informações muito importantes que poderiam ajudar milhões de pessoas, eram mantidas somente entre terapeutas e pacientes, em vez de serem compartilhadas com outros sobreviventes e o público que poderia aprender sobre a existência e consequências de abuso sexual na infância na vida das pessoas.

 

Terapias deveriam ser estendidas para fora dos consultórios e colocadas em prática, encorajando comunidades a trabalharem juntas para curar e prevenir abuso sexual na infância. Grupos de suporte ou apoio, palestras educacionais, campanhas de TV, literatura e qualquer forma de comunicação de massas, com alertas, poderiam trazer benefícios não somente para aqueles que não podem pagar terapia particular, mas para também acabar com o “tabu” existente em relação a incesto e o preconceito contra pessoas que sofrem de doenças emocionais, que a maioria dos sobreviventes atravessam como consequência do abuso, seriam de grande ajuda.

 

Eu mesma tive experiência de quanto estigma e preconceito é na verdade promovido por profissionais da própria classe médica em relação a aqueles que se tornam emocionalmente doentes. É realmente reabusivo e inaceitável que profissionais da classe médica sejam ensinados a rotular pessoas desta forma. É como que, pelo fato de alguém que está sofrendo e tenha se tornado emocionalmente frágil, esta pessoa não possa ser levada a sério, ou perdido capacidade intelectual.

Ainda pior são os médicos que referem a pessoas emocionalmente doentes como motivo de chacotas. Estes indivíduos ajudam a promover preconceito.

Enquanto as instituições médicas não promoverem real respeito e compreensão em relação a pessoas que sofrem trauma emocional e ficam doentes por causa disso, será mais difícil alcançar sucesso para reduzir as estatísticas de abuso sexual na infância por causa da intimidação que estas atitudes causam nas vítimas.

 

Felizmente, existem médicos que tem pensado fora dos padrões estipulados, desafiando velhas teorias e promovendo resultados de pesquisas para o benefício das comunidades. Uma destas médicas e a Professora Sarah Mott, da Universidade do Oeste de Sydney, envolvida em estudos de mulheres que se submetem ao “Papa Nicolau” (exame que pode detectar câncer de colo de útero em estado inicial). De acordo com ela, existe uma relação entre a percentagem de mulheres que evitam ter este exame e história de abuso sexual na infância, por causa de instigação de memórias de abuso. O número de mulheres que evita se submeter a este tipo de exame e de 30% na Austrália.

Além de médicos da nova era, existem também organizações em várias partes do mundo, muitas formadas por sobreviventes e também instituições humanitárias e de serviços de assistências sociais, que suportam sobreviventes na busca de cura e compartilham informação que pode ajudar as pessoas a encontrar respostas e validação de seus sentimentos. 

 

 

 

 

 

 

 

 

2021 - ADENDO: RECONSIDERAÇÕES PROFISSIONAIS

Fui informada em 2017, que a comunidade psicanalítica brasileira estaria finalmente REVENDO suas antigas posições sobre as teorias de Freud sobre o "Complexo e Edipo" e considerando fazer justiça a temática. FINALMENTE!

Como diz aquele antigo ditado: "Antes tarde do que nunca!"...mesmo que estes profissionais tenham levado mais de 30 ANOS para aprender a reconhecer isso!

Mas, quero ver pra crer, pois até então, não recebi nem encontrei qualquer matéria ou artigo sobre o assunto e aindo tenho me deparado com queixas de muitas pacientes nas midias sociais, sobre as mesmas coisas que eu ouvia em terapia há mais de 20 anos!

 

Os brasileiros costumam dizer que a medicina no Brasil é uma das mais avançadas no mundo...

Como paciente de saúde mental, tenho que DISCORDAR pois, encontrei alternativas que realmente me permitiram progredir no tratamento de traumas emocionais, somente depois que deixei o Brasil e, devo dizer que a psiquiatria e psicologia que seguem os princípios freudianos no Brasil, infelizmente não acompanharam a evolução internacional!

 

O melhor tratamento que encontrei, foi com profissionais que me permitiram reconhecer a verdade que me libertou do sentimento de culpa do "Complexo de Edipo" e as melhores decisoes que tomei na vida, foram feitas depois que deixei de usar drogas farmacêuticas prescritas em psicoterapias tradicionais.

 

A melhor cura, é o sentimento de empoderamento,

ao se colocar em prática as coisas que tomamos consciência,

através do reconhecimento da verdade interior!

 

 

 

 

 

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