R-Evolução Anti Pedofílicos

 

2003

 

INFORME  EDUCATIVO

 

PEDOFÍLICO, de acordo com o Dicionário Aurélio, pedofilia significa “ um desejo forte e repetitivo de práticas sexuais e de fantasias sexuais com crianças e pré-púberes” ou “perversão sexual que visa crianças”. Assim sendo, abuso sexual na infância é pedofilia!

Você sabia que a pornografia infantil na internet é apenas a pontinha de um grande iceberg que tem o incesto como o maior tipo de abuso sexual a crianças na base da pirâmide?

 

INCESTO, significa “relação sexual proibida entre parentes, em uma família, por exemplo, irmão com irmã ou pais com filhos(as)”_ Dicionário Longman.)

O Dicionário Aurélio também inclui filhos “adotivos” como parentes para identificação de incesto.

Também podemos encontrar definições descritas por organisações que lidam com estes assuntos como o Centro de Crise de Estupro e Incesto de Brisbane (BRICC), na Austrália: “Incesto inclui qualquer violação ou violência sexual (por exemplo, toques indesejados ou comportamento sexual) perpetuados em uma criança ou pessoa mais jovem por pessoa da família que se encontra em posição de referência ou de confiança a esta criança ou jovem. Nesta definição, incesto é estupro.”

 

Você ficaria chocado em saber que muitas pessoas abusam sexualmente de crianças em suas próprias famílias?

ABUSO, de acordo com o Dicionário Aurélio significa “1-Mau uso ou uso errado, excessivo e ou injusto, excesso, abusão; 2-Exorbitância de atribuições ou poderes;

3-Aquilo que contraria as boas normas, ou bons costumes; 4-Ultraje ao pudor, violação.”

 

Você sabia que a maioria destes casos, isto é, os que envolvem incesto são tratados em absoluto sigilo pela justiça e a comunidade jamais fica sabendo quem são os abusadores?

 

Você se aborreceria em saber que a maioria dos molestadores de crianças estão soltos, por causa de burocracia legal e leis inadequadas que são injustas com os sobreviventes, e também devido a impunidade, por causa da corrupção no sistema legal, em muitos países ao redor do mundo?

 

SOBREVIVENTE, significa “pessoa que continua a viver, apesar de ter corrido o risco de ter estado perto da morte” – Dicionário Longman – Este termo foi adotado por pessoas que sofreram abuso sexual na infância, devido a devastação que o abuso causou em suas vidas”.)

 

Você poderia pensar: “Por que é que ninguém faz nada a respeito disso?”

Quem deveria começar? Todos deveriam! Isso deveria ser uma colaboração entre as pessoas. A única maneira de reduzir ou mesmo eliminar problemas é as pessoas mudando de atitude. Falar abertamente sobre o problema, é um bom começo.

Silenciar a existência de abuso sexual na infância somente ajudará os perpetuadores a fazerem novas vítimas!

 

Por isso, eu estou aqui, expondo aquele que me abusou sexualmente quando eu era criança…

Eu estou fazendo o que cada pessoa, que deseja um mundo melhor para vivermos, deveria estar fazendo: Tornar-se um ativista contra pedofílicos é uma delas.

Promover futuras gerações mais saudáveis e felizes, lutando por aqueles que são inocentes: As crianças! Você também pode agir da mesma forma!

 

De acordo com a Organisação Mundial de Saúde, uma em cada três meninas e um em cada sete meninos são sexualmente abusados na infância entre as idades de recém nascidos e dezoito anos.

Os ofensores são na grande maioria homens heterosexuais conhecidos da vítima.

Estão entre eles, aqueles que deveriam ser representantes de referência de amor, confiança, respeito e proteção. Os maiores abusadores, você queira acreditar ou não, são o próprio pai da vítima.

Outros membros da família como padrastos, irmãos, avós, e primos, são também encontrados como abusadores, no primeiro grupo. Num Segundo grupo, encontramos pessoas que mantém contato com crianças, como professores, médicos, padres, amigos da família e também estranhos.

Embora raros, também é sabido que mulheres possam abusar sexualmente de crianças. Estas incluem babás, avós, tias ou outras mulheres na família e até mesmo a própria mãe.

 

Abuso sexual na infância acontece em qualquer família. Não faz diferença entre classe social, educação, religião, raça, sexo ou mesmo a aparência da criança.

Nível de inteligência, ou situação financeira, não são relevantes para as probabilidades de que alguém seja um abusador.  Abuso sexual na infância não acontece somente nas “Favelas” ou famílias pobres ou de pais sem educação.

Não importa se você é considerado de “Boa Família”. Abusadores em potencial não podem ser enquadrados em uma classificação. Poderia ser qualquer pessoa que parece normal, sem atitude suspeita!

Eu venho de uma família católica, de classe média, de cidade do interior, em que ambos meus pais têm nível superior de educação. Minha família sempre foi considerada de gente boa e respeitada na comunidade. Entretanto, meu pai é um pedofílico que vem abusando de inocentes, secretamente, há mais de 50 anos!

 

Eu quero chamar atenção para o fato de que, abuso sexual na infância não acontece somente com tratamentos de agressão para com a criança. Também acontece num ambiente de chantagem emocional, de amor e carinho, com secreta perversão, como o tipo que acontece em minha família.

Meu pai me abusava com a justificativa de que eu era o maior amor que ele havia tido em sua vida. Assim, eu me senti como a causadora do abuso, durante muitos anos. O que eu não sabia ainda naquela época, é que ele também vinha abusando de outras pessoas, desde muito tempo antes de eu ter nascido!

Ele também costumava ter mais de uma vítima ao mesmo tempo. As vítimas eram levadas a crer que eram especiais e que eram a única pessoa com quem ele tinha este tipo de relacionamento. Meu pai nos levava a competir, uns com os outros, por um amor que jamais receberiamos dele. Isso não era amor! Nos nunca conhecemos verdadeiro amor!

 

Meu pai também fez com que membros da família se isolassem uns dos outros, pedindo que as vítimas mantivessem o segredo, como prova de sua confiança.

Abuso sexual na infância é causado em sigilo com a vítima. Como o abusador possui posição de confiança e poder, a vítima que é vulnerável por causa da tenra idade, não consegue se libertar até atingir adolecência ou fase adulta.

Como também se encontra em literatura sobre violência doméstica e relatórios de sobreviventes de abuso sexual na infância, mesmo que outras pessoas na família saibam sobre abuso sexual, outros parentes não vem socorrer as vítimas. Em muitos casos, a razão e que outros familiares também tenham sido abusados na infância e se sentem impotentes para agir contra os abusadores por causa de seu próprio trauma.

Além disso, como mostra o livro “Traição da Inocência – Incesto e sua Devastação” da autora Susan Forward, e Craig Buck, mães também contribuem para abuso sexual na infância como parceiras silenciosas e elas podem ser classificadas em várias diferentes categorias como ignorar a existência do abuso a aquelas que promovem e participam ativamente com seus maridos em práticas de abuso sexual na infância.

   

A maioria dos abusadores, são também sabidos terem sido abusados quando crianças.

O problema não é de ordem física, genética ou mesmo sexual, mas sim pode ser dito como psico-patológico. Assim sendo, evitando que crianças sejam abusadas hoje, é uma maneira de reduzir o número de futuros abusadores.

Mas, mesmo que alguém tenha sido abusado na infância, isso não justifica e nem deve ser motivo de compaixão para com aqueles que cometem abusos a qualquer criança.

Ninguém tem o direito de  abusar sexualmente de criancas!

 

Estou aqui reclamando o abuso sofrido por aqueles que NÃO se tornaram abusadores.

Aqueles que se tornaram PEDOFÍLICOS estão EXCLUÍDOS de serem chamados de sobreviventes. Estes são  perpetuadores de abuso sexual na infância.

 

Quando as pessoas sofrem qualquer tipo de abuso na infância, estas desenvolvem diferentes tipos de personalidades como resultado disso e seguem dois tipos distintos de caminhos na vida.

O perigo está naqueles que não reconhecem o abuso que tenham sofrido como algo errado e aprendem a apreciar o uso de poder  sobre os indefesos, usando sexo como uma das formas de subjugar os outros. Estes escolhem ser abusivos, como forma de compensação pelo abuso que lhes aconteceu e seguem os passos de seus abusadores. Geralmente, estes nunca se entregam de coração em buscar terapias por si próprios ou não levam isso a sério, apesar de muitos deles saberem que estão errados.

No fundo, estes indivíduos não querem mudar, pois colocam o seu PRAZER acima da dor dos outros.

 

Pedofilia é um jogo de poder e sadismo, com tortura emocional e submissão, impostos pelo molestador sobre suas vítimas. É uma chantagem silenciosa. O pedofílico é um covarde, que precisa de indefesos para atingir o prazer que procura em seus jogos de poder.

Abuso sexual na infância é um ato de puro egoísmo, em que o abusador não considera nem respeita os sentimentos da vítima, senão a si mesmo. Pedofilia e um ato imposto de violência, contra alguém que não pode se defender. Assim, o pedofílico é um estuprador.

Reforçando mais uma vez esta relação, temos citado por Susan Brownmiller, no folheto “Entendendo Incesto” do service de apoio do BRICC, “…estupro…é nada mais do que um consciente processo de intimidação pelo qual… homens mantém as mulheres com medo.”

Existe grande similaridade entre o medo e sentimento impotente de escravidão sentidos, por uma mulher adulta quando estuprada, ou por uma menina que é física ou emocionalmente forçada a se submeter as perversões sexuais de seu pai.

 

Abuso sexual na infância é hoje sabido como das maiores causas de doenças emocionais como depressão e razão para suicídio. Também, é sabido ser origem de outras doenças físicas relacionadas. Muitos sobreviventes são sofredores de ansiedade, fobias, insônia, e dores sem causas aparentes.

Alcoolismo e uso de drogas também tem o abuso na infância como uma de suas grandes causas. Sobreviventes que não conseguem  suportar as memórias e consequências do abuso, geralmente procuram se anestesiar e “esquecer”,  para poder continuar vivendo.

 

A baixa auto-estima desenvolvida por vítimas de abuso sexual na infância, leva muitas delas a se prostituírem, pelo fato de contato sexual ter sido a única forma de amor que elas conheceram e porque esta é a única coisa para a qual elas pensam que tem serventia na vida.

Muitos autores tem citado em seus livros relacionados ao assunto, números de pesquisa conduzida nos Estados Unidos em 1987 mostrando que, entre 500.000 e 1.000.000 das crianças que aderiram a prostituição ou pornografia, um alto número das mesmas foram sabidas terem sido vítimas de abuso sexual na infância – Veja Sex Work: Writing by Women in the Industry(Prostituição: Escrito por mulheres nesta indústria.), editado por Frederique Dellacoste e Priscilla Alexander, Pitsburg: Cleis Press.

Muitas das crianças que usam sexo como forma de vida não o fazem por prazer, mas porque elas não aprenderam auto respeito e elas não tem expectativa de conseguir nada melhor na vida. Muitas delas, associam uso de álcool e drogas para aliviar a dor emocional. Assim, elas conseguem lidar mais confortavelmente com comportamento promíscuo.

Se crianças se prostituem, é porque elas foram anteriormente introduzidas a isso, por alguém que as abusou sexualmente em primeiro lugar.

 

Em contraposição, outras vítimas podem se tornar completamente adversas ao sexo, por causa das memórias traumáticas instigadas. Muitos sobreviventes optam por ficarem solteiros ou procuram algum tipo de sublimação.

Em ambos os casos, experiências passadas interferem nas vidas sociais e também na felicidade e sucesso de futuras relações interpessoais e conjugais.

Antigamente, entrar para um convento era uma das únicas formas de esperança que uma mulher poderia ter, para encontrar perdão e paz, para aquilo que era considerado um pecado que somente Deus poderia lhes salvar as almas.

Hoje em dia, relações instáveis ou divórcios, longas terapias ou internações psiquiátricas, fazem parte a vida das vítimas.

 

Outro dos muitos fatos que encontrei em literatura, confirmando o que ouvi de outros sobreviventes e baseado em minhas próprias experiências vividas, é a extensão do abuso emocional que continua após a exploração sexual tenha cessado.

As vítimas seguem sendo controladas e abusadas emocionalmente pelo molestador e mesmo por outras pessoas na família que protegem o abusador.

Sobreviventes que não aceitam o abuso, passam por dificuldades, especialmente se tentam mudar os padrões de comportamento familiar.

Familiares, geralmente tentam acobertar o problema por causa da vergonha.

 

Também é importante mencionar que nem todas apessoas que se opõe a ajudar as vítimas o fazem por também terem sido vítimas anteriormente. A maioria dos parentes sente desconforto, quando alguém traz o assunto a luz ou tenta tomar providências a respeito.

Quando foi sabido que meu pai moletava as irmãs de minha mãe, nos primeiros anos de casamento de meus pais, ninguém o denunciou a polícia, porque foi considerado escândalo e vergonha. Também  foi achado razoável que minha mãe, que tinha três crianças pequenas, precisava de um marido para sustentá-la. Por causa desta negligência, eu e várias outras crianças, também nos tornamos vítimas de meu pai.

Como sobrevivente, posso afirmar que teria sido melhor ficar sem pai, do que ter o pai abusivo que eu tive. Isso deveria ser assimilado por aqueles que, entram nesta página, em busca do que fazer, quando se defrontam com casos de abuso sexual na infância. Eu afirmo com convicção:

 “Sempre considere a segurança das crianças em primeiro lugar.”

A situação do abusador ou imagem da família jamais deveriam ser prioridade. Esta falsa imagem irá se manter, de qualquer forma, somente até que alguém exponha os erros desta familia, no futuro, como eu estou fazendo agora. A descoberta de que alguém encobre pedofilia é que pode ser a razão de alguem perder o respeito público. Leve isso em consideração.

 

Ainda assim, o pânico e vergonha de ser considerado culpado e responsável pelo abuso, faz com que muitos sobreviventes persistam, com todas as suas possibilidades, em encobrir o abuso e proteger o abusador.

Mesmo que, duas de minhas irmãs tenham sido vítimas de abuso sexual por meu pai, elas me disseram que sempre iriam negar isso publicamente, porque elas não poderiam enfrentar a vergonha de que outras pessoas tivessem tal conhecimento. Elas também admitiram que, nosso pai as instruiu a se manterem firmes em sua negação. Assim, elas não teriam problemas com a justiça, em caso de negligência para com outras vítimas.

Me deparei com isso, quando eu contemplei levar meu caso a justiça pelo que meu pai havia me feito e também para suportar mais outra vítima descoberta. Me convenci naquela época que, se eu ainda fosse uma criança, meu pai ainda estaria me abusando sexualmente e também que pessoas na minha família ainda se recusariam a me ajudar.

Devido a tecnicalidades legais, para ter sucesso em minha reclamatória, eu teria que ter a confirmação de que mais uma pessoa estava sendo vítima de abuso sexual por meu pai. Sabendo o quanto eu havia guardado o segredo de meu pai quando eu era criança, por amor, culpa e medo; eu não acreditava em poder contar com a confirmação desta nova vítima.

 

Mais tarde, quando pedi as minhas tias que junto comigo, apoiassem esta vítima como testmunhas, por também terem sido abusadas sexualmente por meu pai, não consegui que elas o fizessem.

Ainda que, uma das irmãs de minha mãe tenha expressado intenção em também testemunhar para ajudar a nova vítima no processo judicial contra meu pai, como mais um antecedente do mesmo tipo de ofensa, o marido dela a convenceu a não se envolver em tal sujeira para não acabar se sujando também.

Acredito que as pessoas irão concordar que, sujos são aqueles que escolhem proteger um pedofílico.

Outra tia minha argumentou que como a vítima não possuia correlação sanguínea com ela e não havia sentimento afetivo por ela, a mesma acreditava que não era seu dever se export a tal vergonha por causa desta criança que nada significava para ela.

O que eles deveriam ter considerado é que negligenciando ajuda a mais outra vítima eles ajudaram a manter o perpetuador livre.

A pior atitude, foi a de uma das irmãs de meu pai que, foi até mesmo persuadir a mãe da vítima, para que esta retirasse o processo da justiça, para evitar que o nome de sua familia fosse envolvido neste tipo de escandalo...Juntamente com esta tia, muitas pessoas de minha familia foram a casa da vítima ou telefonaram, com o propósito de usar chantagem emocional e persuasão para conseguir que o processo fosse retirado da justiça. Os sentimentos da vítima não tinham qualquer valor ou importância para estas pessoas.

 

Fiquei ainda mais desapontada, quando soube mais tarde, pela própria mãe da vítima, que esta retirou a queixa, com a desculpa de que não tinha tempo para dedicar ao processo legal! Que tipo de mãe é esta que impede que justiça seja feita a sua própria criança?

Eu considero pessoas do tipo mencionadas acima, como um acessório ao crime de pedofilia.

Assim sendo, eu não consegui uma só antiga vítima de meu pai, que se prontificasse a me ajudar a apoiar a nova vítima, no processo judicial, contra meu pai. Mas ao menos, eu consegui libertá-la do abuso sexual, na época e fiz isso agindo do outro lado do mundo!

Como se pode ver, distância não deve ser uma barreira. Basta se ter consciência da importância do que se pode fazer por alguém que não pode ainda se defender e ter vontade de fazê-lo.

 

Eu sempre tive poucas pessoas que me apoiaram, desde que quebrei o silêncio e comecei a lutar contra meu pai, abertamente, pelo que ele fez a mim e por saber que ele continuava molestando outras crianças. Eu também podia prever que ele continuaria com este comportamento compulsivo, porque ele gosta do poder que isso lhe proporciona.

Na verdade, comecei a confrontar meu pai em 1980 e tenho desafiado minha familia, por mais de uma década, por evitarem lidar com um problema que se tornou fora de controle e vai continuar a repetir sua historia de abuso enquanto ninguém parar meu pai.

 

Entretanto, nem todos tem dado as costas aos meus esforços.Quero aqui reconhecer a confiança que meu irmão mais velho e sua esposa depositaram em mim, quando contei-lhes o que havia me acontecido, há anos atrás, para prevenir que suas crianças também fossem abusadas por meu pai. Pessoas como eles não devem jamais ser vítimas de preconceito, quando tudo que exponho aqui vier a público. Por favor, lhes ofereçam apoio, pois eles já sofreram tantas consequências de pertencerem a uma família como a nossa.

 

Nos últimos anos, eu soube de novas vítimas em potencial. Uma delas é uma nova sobrinha, que nem mesmo conheço. Meu pai teve permissão de contato próximo e de cuidar desta criança, desde nascida. Como vítima prévia, a mãe desta criança deveria saber do perigo. Entretanto, não há nada que se pudesse fazer a respeito, devido ao enganoso bom comportamento de meu pai. Ele passou a se submeter voluntariamente a psicoterapia, para escapar condenação legal por abuso sexual de menores, iludindo novamente as pessoas na família a acreditarem que ele estava mudando.

 

Assim, mais uma vez, o tempo provou que meu presentimento estava certo, após todos estes anos, se as pessoas de minha familia gostem ou não, e o céu caiu sobre suas cabeças novamente.

Mesmo que tentem esconder informações de mim, fiquei sabendo que tenho mais outra nova irmã. Ela é, mais uma vez, outra filha que meu pai teve for a de seu casamento e assim poder continuar a ter novas vítimas para preencher sua perversa compulsão sexual por crianças.

O pior é que, a justiça brasileira permitiu meu pai  registrar esta criança como sua filha e poder exercer pátrio poder sobre a mesma, apesar de ele ter sido apontado legalmente, por mais de uma vez, como suspeito de abuso sexual de crianças no passado.

Esta nova criança está agora em risco, porque meu pai não foi processado pela acusação, cuja queixa foi retirada pela mãe da vítima anterior.

Você acha isto certo? Você acha que tudo isso deveria ser mantido em silêncio?

 

-Estou mais uma vez decidida a tentar finalmente acabar com o fato de meu de meu pai de se sair bem abusando crianças inocentes, expondo ele em público, em escala mundial.

Eu acredito que, a medida que isso traz a luz um problema tão serio, que assola tantas famílias, uma porta poderá ser aberta, para libertar muitas vítimas de abuso sexual na infância.

 

-Tenho esperanças que minha história possa trazer força e coragem a outras vítimas de meu pai, a se livravem da culpa e vergonha e finalmente se manifestarem. Desta forma podemos juntas encaminhá-lo ao único lugar que ele merece estar: ATRÁS DAS GRADES.

 

-Acredito que as pessoas reajam de forma positiva a este apelo, acordando para problemas como os de minha família, porque isto é uma ferida comum que afeta muitas pessoas pelo mundo afora! Quando olho de volta para o passado, posso hoje lembrar sinais de semelhança entre o que acontece na minha família, também identificadas em famílias de amigos, colegas de escola, universidade e mesmo pessoas que conheci durante atividades profissionais.

 

-Espero, que a comunidade de onde venho, e também muitas outras, possam crescer aprendendo mais sobre incesto, que é um problema que até então vem sendo escondido e evitado, por ser um assunto considerado tabu. Educação, pode ajudar a colocar de lado sentimentos de preconceito, conscientisando as pessoas para o horrível sofrimento que as vítimas de abuso sexual na infância enfrentam em suas vidas.

 

-Desejo que muitos outros sobreviventes pelo mundo afora também possam tomar as rédeas para a liberdade e apoiar uns aos outros, como também ajudar a libertar presentes vítimas de abuso sexual na infância.

 

"Seria muito bom se as pessoas acabessem com a passividade para com este tipo de violência e cada um fizesse a sua parte, para que o mundo fosse um lugar mais justo e melhor para se viver e ser feliz."

 

 

 

 

 

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