R-Evolução Anti-Pedofílicos

 

2006

 

SÍNDROME DE PÂNICO

 

 

 

 

Enquanto existe gente que nega sofrer de “sindrome de pânico”, milhões de vítimas de crimes hediondos, assim como eu,  é que têm reais motivos para estar em pânico.

Estou aterrorizada com a decisão do Supremo Tribunal Federal em amenizar as penas para autores de crimes hediondos no Brasil.

 

Posso assegurar que, assim como eu, muitas vítimas de crimes hediondos se sentem traídas, menosprezadas, desrespeitadas e re-abusadas pelo sistema jurídico brasileiro, ao confrontarem a iminência de terem que se subjugar a ter que voltar a conviver com a soltura de seus abusadores.

Esta decisão do STF tem me tirado o sono, tem me dificultado no trabalho e também afetado minha saúde. Este choque me deixou paralizada durante um tempo muito maior do que eu esperava e inclusive retardou publicações positivas que eu intencionava fazer neste site após ter retornado do Brasil e ter iniciado um maravilhoso grupo de suporte a sobreviventes de abuso sexual na infância.

 

A decisão do STF em declarar inconstitucional a proibição de progressão de pena para crimes hediondos é revoltante, inaceitável e covarde!

Que progressão é esta? Isso é regressão! É um retrocesso a todas as tentativas de se tentar combater e reduzir todos os crimes que envolvem horror ‘as vitimas e em que não existe como se recuperar os individuos ofensores como no caso de psicopatas.

Tal decisão do STF minimiza as vítimas, desvaloriza o ser humano (daqueles que são dignos de assim serem chamados) e bem como a autora Gloria Peres se manifestou, é uma liquidação dos valores humanos. Eu diria, uma liquidação da decência da justiça brasileira.

 

O pior de tudo é que foi justamente um caso de pedofilia, como a do pastor evangélico e pedofílico Oséas de Campos, que abriu as portas para que todos os outros crimes hediondos possam se beneficiar para a redução de penas.

 

Como sobrevivente de abuso sexual na infância pelo meu próprio pai e tendo conseguido a muito custo, colocá-lo na cadeia, é meu direito e minha obrigação moral para comigo mesma, com outras vítimas e com a sociedade, compartilhar meu desgosto e meu estado de terror e pânico, ao ter que me deparar com uma decisão que nos tira a esperança de justiça, de respeito e de reconhecimento dos danos que as vitimas tiveram que suportar.

Como protesto, enviei o texto CRIMES HEDIONDOS a imprensa nacional e também internacional, mostrando a todos a verdadeira cara daqueles que gerenciam o Brasil.

Também enviei carta de apelo ao Presidente Lula, para que ele seja inteirado do quanto esta decisão do STF me afeta como vítima de crime hediondo e que assim como eu milhões de brasileiros se sentem revoltados com esta decisão. O conteúdo desta pode ser lido no texto com este título.

A quem achar que isso e algo ingênuo, eu digo que na minha opinião, nossos desejos ou expectativas jamais se tornarão conhecidos se nunca manifestarmos o que sentimos.

 

VAMOS REAGIR TODOS JUNTOS

Me recuso a aceitar que aqueles que que votaram a favor da diminuição do rigor das penas a crimes hediondos, sejam chamados de brasileiros.  Eles são sim os traidores do povo brasileiro.

Ao mesmo tempo, me sinto ansiosa com como as pessoas irao reagir perante a esta situacao.

Conhecendo a atitude passiva das pessoas no Brasil, posso prever que tudo caia no “esquecimento” depois que passar o impacto inicial da notícia e a situação de pânico “esfriar”.

Da mesma forma que a maioria das vitimas se defrontam com o abandono de membros da familia quando precisam de ajuda, ja sinto uma frustração antecipada a respeito do número de pessoas que irão se envolver para tentar reverter mais esta afronta daqueles que usam o poder para manipular as pessoas.

 

Não foi por falta de aviso que houve este retrocesso legal e foi antecedendo tal resultado, que sugeri no meu site R-Evolução Anti Pedofilicos, já em 2003, que as pessoas no Brasil se mobilizassem e fizessem um plebicito para assegurar um rigor ainda maior para sentenças de crimes hediondos, justamente para evitar que pessoas que não atendem os interesses da população impusessem uma decisão superior deste tipo. Quem se mobilizou neste sentido?

 

Também, não houve uma divulgação mais especifica ou esclarecedora ao povo, que deveria ser informado mais amplamente a respeito de decisões deste tipo, que afetam a vidas das pessoas tão profundamente. Na verdade em questões desta natureza, não existe interesse que o povo seja questionado justamente por estas não atenderem as espectativas de segurança e de direitos das pessoas que foram lesadas!

 

Convido aqueles que, a partir da decisao do STF, formaram esta consientização e estiverem fazendo abaixo assinados para reivindicar mudanças na constituição que viabilizem uma legislação mais justa e penas mais severas para crimes hediondos ou de horror, que se manifestem no guestbook deste site, para que as pessoas possam tomar conhecimento disso e ter acesso a estes instrumentos de democracia.  

 

Espero que todos aqueles que acharam que já javiam contribuido o suficiente para ajudar a divulgar este site, bem como aqueles que acharam que não precisavam se mobilizar por acreditar que haviam muitas pessoas que o fariam em seu lugar, possam perceber hoje que toda a ajuda é pouca e que nunca podemos deixar de estarmos alertas e de reivindicarmos mudanças.

Não podemos baixar a nossa guarda, justamente pela possibilidade de que aqueles que destroem nossa comunidades se fortalecam e que aqueles que fazem mal uso de poder prevaleçam em suas decisões. Isso se aplica também aos ministros que apoiaram a redução de penas a criminosos hediondos.

  

Por falta de pressão pública e de um pronunciamento de peso do próprio povo, as avaliações da situação dos presídios brasileiros foram feitas baseadas simplesmente na lei remanejamento de volumes, da mesma forma que uma lixeira que deva ser esvaziada quando atingir sua capacidade máxima. E é em cima do povo que este despejo estará sendo descarregado.

De acordo com a materia de capa do dia 16/03/2006 no jornal O Estado de São Paulo, a procuradora de justiça Lucia Cassali afirma estarrecida que, somente neste estado, cerca de 43.000 criminosos hediondos estarão elegíveis a receber redução de pena para regime semi-aberto de prisão.

 

QUEM ASSUMIRÁ A RESPONSABILIDADE DAS CONSEQUÊNCIAS DA DECISÃO DO STF?

O que está sendo oferecido pelo governo como contrapartida para assegurar que estes criminosos não irão reincidir em suas atividades criminosas?

No caso de traficantes de drogas, por exemplo, que são a maioria dos casos de presos a serem liberados, que empregos tem o governo brasileiro garantido para que estes criminosos possam se reabilitar e como contra argumento a sua necessidade de sobrevivência?

Se o convívio com suas comunidades e com a familia não os manteve afastados de atividades ilícitas antes, o que garante que o quadro será diferente agora, principalmente se não houve e não houver uma estrutura governamental de reabilitação?    

Como é que as pessoas se sentem sabendo que apesar do já existente alto índice de criminalidade e uma condição de pânico pela falta de solução para se controlar estes crimes, haverá também o reforço de um exército de criminosos a serem despejados nas ruas como alternativa para a falta de espaço nas penitenciárias?

É justamente a certeza do abrandamento das consequências, que prova a estes criminosos que o crime compensa. Independente do grau de periculosidades de seus crimes, estes agora sabem que em pouco tempo, estarão livres.

 

Aqueles que votaram a favor da redução das penas de crimes hediondos deveriam se envergonhar de sua decisão e se dar conta de que eles são empregados do povo e deveriam respeitar a vontade daqueles que lhes pagam os salarios.

Ações publicas já conseguiram remover juizes que não trabalham para o bem da sociedade no país onde hoje resido. Acho que as pessoas no Brasil também deveriam começar a pensar neste sentido.

Gostaria de lembrar a todos os brasileiros que, neste ano de eleição, aproveitem e mostrem nas urnas o seu desejo de mudanças, ao mesmo tempo que não aceitem tais afrontas jurídicas como uma imposição icorrigível.

É o povo quem faz um país e não aqueles que acham que podem abusar de seu poder para abafar a vontade deste povo. 

 

PROTESTAR PARA MELHORAR

Como brasileira que não aceita os caminhos que o Brasil está seguindo, apresento aqui o meu protesto, compartilhando com o mundo o meu desgosto de ser traída pela “pátria madrasta” que permanence deitada em berço explêndido enquanto o caos corre solto e absurdos como a decisão do STF se aproveitam da passividade das pessoas.

 

Ao divulgar esta mensagem a nível internacional, em diferentes idiomas, não me sinto nem um pouco constrangida em mostrar ao mundo o que realmente existe por trás do colorido ilusório que as pessoas percebem a respeito de um Brasil de gente aparentemente tão amigável, calorososa e de cabeça tão aberta, mas onde na verdade, a maioria corre da briga quando tem que reivindicar e resolver algo sério.

 

Que Brasil é este?

 

-É o Brasil de mulheres que concebem e usam de crianças para garantir seu futuro financeiro.

-É o Brasil,em que as mulheres são tratadas como um produto de consumo dos homens, sendo estas referência mundial de beleza e feminilidade, a um custo muito alto, em que a sociedade cobra que estas tenham que se sujeitar a aceitar serem valorizadas como objeto sexual desde a infância.

-É o Brasil em que são as mães, as maiores responsáveis pela negligência e desproteção de suas crianças abusadas tanto de forma física, emocional e sexual.

-É o Brasil em que as pessoas só pensam como podem tirar vantagens umas das outras, em vez de se ajudarem.

-É o Brasil de pessoas que tenta destruir aqueles que se destacam por valores ou trabalhos que desafiem o comodismo dos demais, pois a inveja prevalence em relação a colaboração e união de forças que poderia ser usada para o bem de todos. 

-É o Brasil de extremos sociais, em que reina a desiguadade entre os muito ricos e os muito pobres, onde cada um quer tirar o máximo proveito de todas as situações que puder, pelo simples prazer de se apoderar daquilo que é dos outros e em que a moeda principal é o poder, o dinheiro, a imagem física e o sexo.

-É o Brasil que que as pessoas desrespeitam a natureza e destroem todo o meio ambiente em nome do “desenvolvimento”.

-É o Brasil de políticos corruptos que criam leis para se autobeneficiar e proteger criminosos, em desfavor do cidadão de boa índole, do honesto e do trabalhador.

-É o Brasil que faz mau uso de religião, onde a crueldade usa a máscara da bondade, propagando miséria e negando as pessoas o direito de reclamar justiça, para fazer com que estas aceitem passivamente tudo o que lhes for imposto como se fosse a “vontade de Deus”.

 

Se o Brasil é alvo de deboches e de preconceitos no exterior, isso é devido a falta de respeito e caos que que os próprios brasileiros permitem que domine o seu país.

O Brasil é um barco afundando em que falta um capitão chamado “Ética”.

 

Se exponho isso tudo, é justamente para reivindicar mudanças, em vez de aceitar carregar tal vergonha com atitude derrotista ou tentar varrer a sujeira para debaixo do tapete.

É protestando e reagindo contra aqueles que nos usam como capachos, que poderemos um dia mudar a realidade que não nos serve e podermos nos orgulhar do nosso Brasil .

 

COMO TUDO ACABA EM SAMBA, CARNAVAL E FUTEBOL

É incrivel como, mais uma vez, uma decisão tão importante como a do STF é votada e divulgada justamente durante o Carnaval…

O óbvio do óbvios, que todo brasileiro já sabe, é que quando algo deve ser diminuído em sua importância, a melhor maneira de se fazê-lo é ofuscado tal assunto por algo maior e mais prazeiroso, para se desviar a atenção das pessoas, como carnaval , futebol, e fofocas sobre celebridades por exemplo! Ninguém presta atenção a algo sério enquanto o povo tiver o “Ópio” da diversão e da fantasia para anestesiar as dores e as frustrações de suas perdas.

A idéia é esta! Quem irá querer prestar atenção a assuntos que requeram pensamento, elaboração, protesto e ação enquanto todos são hipnotizados pelas luzes, formas, rítmos, sons, cores e sedução do Carnaval?

A mesma sedução das mentes e dos corpos e das pessoas é usada para se obter o controle sobre elas.

Aliás esta tática é algo comum entre as pessoas que praticam todos os níveis de abusos contra os outros. Um preço alto a ser pago, escondido sob o direito de uma dádiva. Seja no uso ou tráfico de drogas, no abuso sexual an infância ou em relações controladoras  familiares, profissionais ou políticas.

 

É por isso que, como se diz no Brasil: “Aqui tudo vira Samba”! O mesmo “S” de sabotagem, sacanagen e de sinismo.

Enquanto o povo brasileiro aceitar com passividade tais distorções de valores só podemos enquadrar o Brasil em mais outro “S” em que, como se diz no exterior  “BRASIL SUCKS” (o Brasil é um fiasco)!

 

A UNIÃO FAZ A FORÇA

Enquanto as pessoas ficam dizendo que o Brasil é assim mesmo, que não tem arrumação, e que não há nada que se possa fazer, que nada irá mudar para melhor mesmo, as coisas só tenderão a piorar.

Que tal olhar a coisa por outro ângulo?

 

Vejam só o paralelo que existe entre o abuso de poder político e abusos na infância:

-Todas as pessoas que sofreram algum tipo de violência sabem como nos sentimos impotentes diante de um gigante abusador que nos controla e que nos ameaça a vida ou nosso bem estar. Como vítima de abuso sexual na infância, percebo muito bem como este tipo de estrutura de contrôle se repete também em outras áreas.

 

-As vítimas de violência e abuso sexual na infância, passam a ser moldadas para serem derrotistas desde cedo, e os desafios futuros na vida serão uma repetição dos traumas de infância, relembrando-as de suas incapacidades de se libertar daqueles que as controlavam no passado e que as controlam no presente.

 

-Não tendo conseguido se libertar dos abusos na infâcia, as vítimas geralmente assumem um comportamente acuado e enfrentam pânico ao ter que lidar com situações de contrôle e poder no futuro, pelo mêdo de serem trucidadas da mesma forma como temiam quando eram crianças.

 

-A atitude derrotista, de não enfrentamento de situações até mesmo corriqueiras da vida, passam a ser parte do modo de vida da pessoa.

 

-Os caminhos mais fáceis são sempre os ecolhidos nas soluções dos problemas, preferencialmente aqueles que ajudem a abafar o conflito e que façam com que a pessoa “deseje esqueçer” aquilo que a incomoda, para que esta não precise voltar a se confrontar com uma sensação de derrota. Por isso, os resultados mais frequentes são as desistências dos objetivos de vida das pessoas.

 

Da mesma forma, esse quadro se repete no comportamento do povo brasileiro.

É por isso que o brasileiro se sente tão impotente para lutar: por causa das incessantes derrotas sofridas e do contrôle daqueles que deveriam estar representando o povo e trabalhando para o bem de sua gente, mas abusam de seu poder.

Mas as pessoas, ao se isolarem, assim como acontece com as vítimas de abuso sexual na infância, ficam enfraquecidas e vulneráveis, a merce do controle daqueles que exercem autoridade sobre elas.

 

Quando houver um número significante de pessoas que sofreram abuso sexual na infância no perfil deste povo, a situação fica ainda mais agravada pois este povo estará ainda mais vulnerável às manipulações daqueles que têm mentalidades e comportamentos controladores.

Por isso, é que o combate do abuso sexual na infância deve ser uma prioridade para um povo que deseja se reerguer.

Pessoas que não foram expostas ao trauma e mêdo de se sentirem derrotadas desde as sua primeiras experiências de vida, e que tiveram a liberdade de escolha e direito sobre seus próprios corpos e vontades, são mais otimistas, estando mais propensas a acreditar em seu sucesso e a colocar em prática os passos para alcançar este sucesso.   

 

Para aqueles que querem tentar mudar a situação, a espectativa de urgência de se fazer tudo isso de uma só vez faz com que o universo dos problemas pareça muito grande e pesado para cada um de nós, e nos sentimos cada vez mais impotentes.

A ansiedade causada pela demora da solução destes problemas faz com que tantos desistam pois o trauma reativa o mesmo sofrimento que sentiamos quando queriamos nos livrar dos problemas de maltratos na infância e não conseguíamos fazê-lo.

Desta forma, a lembrança daquilo que era insuportável e o medo de derrota, impede as pessoas de continuar lutando.

Podemos ver aí como é dificil para que pessoas que sofreram abusos na infância consigam ter a persistência para confrontar desafios em que não haja apoio de outros, pois a pessoa se sente como quando era criança, em que sentia que não podia contar com ninguém e se sentia sozinha para atingir objetivos que estavam acima de seu alcance.

 

Mas, se recebemos apoio ao compartilharmos nossos problemas com outros que acreditamos que possam nos ajudar, podemos ter uma chance de sucesso.

Se houverem pessoas que nos estenderem a mão e fizermos um pouquinho a cada dia e se da mesma forma também procurarmos ajudar um pouquinho a cada pessoa que estiver tentando fazer algo, estaremos unidos e aos poucos fortalencendo as vontades de muitos que não conseguem lutar sozinhos.

 

Cada pequena vitória pode ser vista como uma grande conquista.

Cada criança que for protegida de abusos, cada pedofilico que for preso, cada lei que pudermos melhorar para minimizar as incidências e reincidências destes crimes, bem como as consequências nas vidas das vítimas, serão os paralelepipedos da trilha para construírmos uma estrada mais sólida que nos levará a justiça, liberdade de sermos e escolhermos nossos próprios destinos e encontrarmos o equilíbrio que tanto desejamos.

 

Se você preza o país em que vive e gostaria de poder se orgulhar dele, reaja e não permita que aqueles que o estão destruíndo continuem com seus feitos.

Se cada um de nós reagir, conseguiremos uma reação em massa e teremos mais chances de fortalecer a nossa nação.

Assim, em vez de termos que viver em pânico, nos sentindo incapazes como crianças e desgastados por ter que ficar continuamente retrocedendo por não conseguirmos consertar aquilo que está torno em nossas vidas e em nosso país, poderemos finalmente usar nossas energias para caminhar para frente e progredir de forma mais saudável.

 

 

 

 

 

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