R-Evolução Anti-Pedofílicos

 

2005

 

GAS

Grupo de Ajuda a Sobreviventes

 

 

 

REALIDADE DAS SOBREVIVENTES

Desde que lancei meu site na internet, foram muitas as sobreviventes de abuso sexual na infância que se manifestaram e que precisam de apoio.

A pedido, divulguei neste site, em oportunidade anterior, informações sobre como formar grupos de suporte, cujo texto pode ser encontrado num acréscimo ao capítulo entitulado SOBREVIVENTES.

Entretanto, a maioria destas pessoas se sentiam retraídas para explorar um caminho de busca de ajuda que elas mesmas não conheciam e que não sabiam onde encontrar, o que é muito normal.

Assim, achei importante que ao retornar ao Brasil em 2005, eu pudesse concentrar meus esforços para providenciar através de meu próprio exemplo e envolvimento, uma estrutura de apoio que poderia beneficiar estas pessoas.

 

RETRIBUIR A OUTROS A AJUDA RECEBIDA

Como eu tive o privilégio de receber ajuda gratuita de serviços de atendimento a sobreviventes em crise e de grupos de suporte aqui na Austrália, achei muito justo que eu estendesse o modelo deste tipo de ajuda a outras pessoas no meu pais de origem.

Desta forma, decidí compartilhar um tipo de experiência, conhecimento e atitude que mudou a minha vida, para ajudar a orientar as pessoas que necessitavam deste mesmo tipo de assistência também no Brasil, para que estas também pudessem se fortalecer e aprender a lidar com os problemas que rodeiam a vida das vítimas de abuso sexual na infância.

 

Trata-se de um aprendizado que abrange desde a compreensão do que aconteceu com a pessoa, o quadro familiar, medos, vergonhas, problemas de auto estima, a delimitação de limites, aprendizados de relações saudáveis e novas estratégias de vida.

Isto é exercitado num tipo de grupo terapêutico de auto ajuda onde se compartilham estes conhecimentos tanto quanto nossos sentimentos, angústias, conflitos e dificuldades causadas pelas distorções que o trauma do abuso sexual causou em nossas vidas, acompanhado de material didático.  

 

GAS

Portanto, quando voltei ao Brasil em Dezembro de 2005 ajudei a montar este tão esperado grupo de suporte a sobreviventes de abuso sexual na infância e adolecência, na cidade de Lajeado, no estado do Rio Grande do Sul.

Chamamos o grupo de GAS (Grupo de Apoio a Sobreviventes). O nome foi idéia da psicóloga Valquiria Breier Lopes, pois as pessoas se encontram para que, além de buscar apoio e compartilhar seus sentimentos, possam recarregar suas energias para poder enfrentar seu dia a dia como sobreviventes. Elas vão buscar GAS!

O grupo tem sido um sucesso desde então e está funcionando a todo gás também, pois formou-se um vínculo de referência para as participantes em que estas tem a autonomia de buscar umas nas outras apoio em momentos de crises. 

 

Este é um grupo terapêutico pioneiro desta natureza, e um modelo exatamente por se tratar de um grupo de auto ajuda iniciado por uma sobrevivente com o intuito de atender outras sobreviventes.

Para o grupo existir, basta que existam sobreviventes interessadas em se auto apoiarem mutuamente.

Grupos de apoio a sobreviventes são uma das muitas alternativas que podem existir em paralelo com terapias particulares se as pessoas assim desejarem.

 

O grupo iniciado durante a minha estada teve o voluntariado de terapeutas interessadas, para que, além de haver a oportunidade de presenciar a demonstração da metodologia que tenho experimentado e aprendido aqui na Austrália, elas pudessem dar continuidade para assistir ou guiar o grupo depois que eu deixasse o Brasil.

Tal tipo de acompanhamento profissional pode ser alternado ou periódico, o que é benéfico para o grupo, pois assegura a suas participantes que são elas que têm condições de fornecer apoio umas as outras. Isso as fortalece, pois lhes resgata seu poder de tomar conta de si próprias.

Assim, a presença ou ausência da terapeuta não impede que o grupo aconteça, pois a  figura da terapeuta serve tão somente como mediadora ou orientadora que pode estar presente no início, quando as participantes ainda se sintam inseguras e pode continuar com este acompanhamento em alguns encontros esporádicos futuros.

 

Além da metodologia usada, foram trabalhamos com textos educativos traduzidos e adaptados de brochuras e publicações de entidades e organizações não governamentais internacionais, do governo australiano e referências bibliográficas.

 

O próprio grupo estabelece suas regras de comum concenso, baseado em experiências de outros grupos de sucesso e de acordo com as necessidades das participantes.

O exercício de mediação e direção do grupo é alternado em cada encontro. Esta é uma oportunidade concedida a todas e pode ser aprendida por cada uma das participantes com o decorrer do tempo e isto cria um sentimento de capacidade e independência nas pessoas. O exercício de controle do grupo é um desafio para todas. Mas ao mesmo tempo, é uma experiência positiva de aprendizado para administrarem suas próprias vidas e para reconhecer e aprender a colaborar para com o sucesso do desempenho de outras participantes baseado em suas próprias experiências neste sentido.

 

PÚBLICO ALVO

O grupo GAS iniciado na cidade de Lajeado, destina-se SOMENTE PARA SOBREVIVENTES DE ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA.

 Isso não significa que exista algum perconceito ou desprezo por pessoas do sexo masculino e nada impede que no futuro surjam outros tipos de grupos que possam abranger este tipo de população ou também grupos de apoio a mulheres adultas vítimas de violência sexual e até também grupos compostos por parceiros ou familiares que desejam aprender a compreender melhor como lidar, ajudar e interagir com as sobreviventes de abuso sexual, com quem compartilham suas vidas.

Mas, a prioridade inicial para o atendimento a "estas" mulheres no GAS se deve ao fato de que a maioria das vítimas são mulheres e a maioria dos abusadores infelizmente são homens e a presença destes pode criar um ambinete de insegurança nas demais participantes do grupo.

 

Foi consatatado em pesquisas de organizações internacionais que têm lidado com estes tipos de grupos de longa data que, mesmo que homens tenham sido abusados sexualmente na infância, estes se deleitam em ouvir ou presenciarem uma mulher compartilhar suas experiências de abuso sexual e isso cria constrangimento nas mulheres sobreviventes.

Este constrangimento não é saudavel para o propósito do grupo que visa o pleno desenvolvimento de resgate da integridade e de controle de suas vidas pelas próprias mulheres.

Assim também os homens, não se sentem à vontade ao ter que compartilhar com mulheres situações humiliantes de abuso sexual, pelo fato de sentirem sua masculinidade ameaçada perante o sexo oposto.

Entretanto, nada impede que organizações atendam ambos os sexos em separado e que haja uma interatividade entre seus membros, respeitando os limites de cada pessoa, desde que os participantes se sintam à vontade com isso.

Sobreviventes de ambos os sexos podem trabalhar em conjunto para a erradicação de violência sexual através de campanhas de conscientização, organização e formação de grupos de apoio e arrecadação de fundos para tal.

 

O grupo GAS também decidiu se concentrar inicialmente em mulheres abusadas sexualmente na infância, pelo fato destas serem uma peça chave na sociedade para a prevenção de novas vítimas.

O fato destas sobreviventes terem a percepção de circunstâncias de existência de novas vítimas, por identificação e familiarização de situações de abuso vividas em seus próprios abusos, pode ajudar a prevenir que crianças de seu meio de convívio sejam vitimadas. Ao mesmo tempo estas mulheres aprendem a estar preparadas para denunciar abusos quando estes  forem identificados. Mas para isso, estas mulheres precisam se fortalecer, para que possam interceder efetivamente para a erradicação deste tipo de violência.

Muitas desta sobreviventes, são elas mesmas mães e podem ter suas próprias crianças em situação de risco.

Por isso, se faz necessário que esta mulheres possam se independizar do seu sentimento de confusão e sentimento de impotência para poderem escapar do ciclo de violência doméstica e agir no momento que for necessário para proteger suas crianças.

 

SIGILO

O grupo é sigiloso, sem divulgação pública de data, horário ou local.

No caso do GAS, somente as sobreviventes que se apresentem para uma triagem inicial são comunicadas sobre os encontros.

Isso se faz necessário, para proteger a privacidade das próprias sobreviventes, evitando que furões ou curiosos se infiltrem.

As pessoas precisam se sentir seguras para compartilhar suas fragilidades. É valido lembrar também que para muitas pessoas este tipo de encontro pode ser a primeira oportunidade em que estas possam reconhecer que foram abusadas sexualmente perante outras pessoas e isso pode fazer com que estas se sintam muito vulneráveis o que é esperado e normal.  A situacao é de fragilidade, de dor, mas também de muitas espectativas e de esperança.

 

As identidades das sobreviventes e segredos compartilhados no grupo não podem ser passados a pessoas externas a este, em respeito a privacidade e vulnerabilidade emocional de suas participantes. Este pacto de sigilo e de proteção mútua é baseado no resgate da confiabilidade que foi perdida na infância e que é primordial para que a existência do grupo continue.

 

APOIO

No grupo de suporte a sobreviventes, forma-se um vículo de apoio e confiabilidade, em que a pessoa toma conhecimento que ela não é a única que sobreviveu a experiências de abuso sexual na infância e nem a única que possui sequelas por causa disso.

 

A pessoa percebe que ela não precisa enfrentar sozinha as angústias de ter que lidar com os problemas resultantes do abuso e que pode receber apoio, compreensão e adquirir conhecimentos através de sua participacao neste grupo de pessoas, onde ela se sente protegida.

Muitas sobreviventes se sentem retraídas em participar deste tipo de encontro. Mas, toda vez que surgir o medo de se sentir exposta, vale lembrar de uma coisa muito importante:

 

TODAS nós sobreviventes estamos igualmente na mesma condição e temos muitos sentimentos, medos e hitórias em comum. Não podemos julgar as outras, da mesma forma que não precisamos nos sentir vulneráveis perante aquelas que compreendem o que passamos e o que buscamos.

SOMOS TODAS IGUAIS, temos todas a mesma dor, mas podemos nos ajudar umas às outras.

Eu que o diga, de onde estive e onde cheguei…

Ninguém precisa se sentir sozinha.

 

RESGATE DA CRIANÇA QUE FOMOS

Nestes grupos, aprendemos a reconhecer e a valorizar a criança amedrontada que fomos e que geralmente vem se manifestar em nós em momentos de crises que são desencadeados pelo traumas vividos quando éramos indefesas.

Entretanto, a beleza deste reconhecimento também está no resgate do nosso amor por nós mesmas e pela criança que éramos e de quem não gostávamos por causa do sentimento de culpa que carregávamos.

Mas juntas, numa rede de apoio, podemos nos redescobrir e estender este redescobrimento a outras pessoas que assim como nós podem aprender a gostar de si mesmas, reconstruindo nossa auto-estima, compartilhando nossos medos, espectativas, escolhas, aprendendo como lidar com nossas crises de pânico e transmitindo umas ‘as outras o encorajamento de saber que podemos nos reinventar acabando com o isolamento em que vivíamos.

 

Isto é algo mágico!

 

 

COMO PARTICIPAR DO GAS

As sobreviventes que desejam participar do GAS em Lajeado ou região do Alto Taquari podem fazer contato com a NÚCLEO CONSULTORIA PSICOLÓGICA EMPRESARIAL para entrevista de triagem através do telefone:

 

 (051) 37102811

 

Ao falar com a secretária, a sobrevivente não precisa dar seu nome completo. Basta dizer que gostaria de marcar hora para uma triagem, para participar do GAS.

A particiação sem entrevista de triagem também pode ocorrer através da indicação de terapeuta com quem a sobrevivente esteja se tratando ou da assistência social do fórum de justiça ou ministério público.

 

O grupo é gratuito e a particiação de terapeutas é um trabalho voluntário ou pode ser patrocinado por pessoas que queiram colaborar com o oferecimento de melhores condições de funcionamento do grupo.

Qualquer profissional de psicologia, de saúde ou assistência social que esteja interessado também pode participar com sua contribuição profissional e até formar novos grupos.

 

O beneficio de participar de grupos de apoio não se estende somente a sobreviventes, mas também a estes profissionais que se disponham a se envolver com estes grupos, pois estes têm a oportunidade de aprender como lidar melhor com os problemas de traumas decorrentes da violência sexual na infância, presenciando a interação das sobreviventes no grupo.

O grupo é um aprendizado para ambas as partes. As sobreviventes têm a experiência e vivência do problema e terapeutas interagem com seu conhecimento e prática de técnicas básicas de racionalização, colocando em perspectiva a elaboração do problema.    

 

Seria tão bom se os terapeutas dominassem esta metodologia no Brasil, e que encorajassem seus pacientes a formar grupos pararelos ao tratamento individualizado e que mais profissionais também participassem destes grupos. Mas infelizmente a maioria destes, especialmente da área psiquiátrica ainda se apoiam predominantemente no uso de drogas farmacêuticas para “controlar” a inquietação do paciente, que é gerada pelos conflitos emocionais resultantes de abuso sexual na infância.

 

No GAS, como o grupo É DAS SOBREVIVENTES, estas juntas têm apoio e autonomia para protestar contra atitudes e conceitos, ainda vigentes nas práticas particulares de terapias, que estas considerem prejudiciais a elas, bem como de compartilhar com outras participantes sobre a existência de profissionais que vão ou não de encontro com suas expectativas bem como de técnicas de ajuda que lhes são benéficas.

Isso promove uma interação mútua de desenvolvimento pois ajuda a educar tanto terapeutas como sobreviventes a explorar e expandir seus conhecimentos nesta área.

 

No GAS,  terapeuta é visto como um aliado e não como na maioria das relações tradicionais de médico-paciente em que o terapeuta reproduz o papel do adulto que detém sozinho o poder do conhecimento e que tem controle sobre o que fazer; e do qual a sobrevivente no papel de criança depende para resolver seus problemas.

A criação de mais grupos de suporte e maior divulgação da existência destes poderia ajudar a combater o tabu do preconceito a vítimas de abuso sexual e mais pessoas se sentiriam encorajadas a procurar terapias tanto a nível de grupo como particular.

 

 

TEXTOS EDUCATIVOS DO GAS

 

Os textos educativos para os Grupos de Ajuda a Sobreviventes, foram escritos com o objetivo ajudar sobreviventes abuso sexual na infancia, em suas jornadas de vida.

Os mesmos, também podem ser de grande valia a pessoas que desejam aprender de que forma podem ajudar, compreender e oferecer apoio a sobreviventes.

Ao tentarmos reduzir os impactos dos traumas, além de apoio e carinho, precisamos de conhecimento. Quanto mais aprendemos sobre distorções de conceitos que nos foram impostos na infância durante os abusos, mais chance temos de nos libertar dos atrelamentos que estes nos causaram.

Rever coisas que aprendemos no passado e esclarecer a forma como estas nos causaram conflitos e mal estar, podem nos ajudar a entender o que aconteceu conosco e o que foi feito de nós. Na busca de tentarmos compreender a nós mesmos, podemos tentar descobrir a pessoa que não nos foi permitido sermos.

Os textos do GAS foram escritos com bases em pesquisas, obras bibliográficas relacionadas aos assuntos, material de grupos de suporte de outras organizações de ajuda a sobreviventes de violência sexual e experiências pessoais da autora deste site.

 

 

BENEFÍCIOS PARA A COMUNIDADE

O benefício que a existência de grupos de suporte trás as comunidades se estende a todos,   uma vez que tantas pessoas tenham contato com sobreviventes de violência sexual, mas não sabem disso.

Qualquer pessoa também pode se confrontar algum dia com problemas de violência sexual em suas famílias e pode precisar do apoio de um grupo para si mesma ou para alguém que conhece.

 

Nesta perspectiva, a participação da comunidade e poder público são muito importantes para que o GAS possa assistir as sobreviventes com mais eficiência.

É importante que se viabilizem doações, verbas ou arrecadação de fundos para publicações de materiais educativos ou ajuda de custeio no deslocamento de sobreviventes que tenham dificuldades financeiras para acesso a meios de tranporte, para que esta possam frequentar os grupos em condições de segurança.

A contribuição da comunidade também poderá ajudar para que mais pessoas possam participar do GAS e que novos grupos se formem e se estendam a diferentes áreas ou localidades.

 

O GAS é uma extensão ou parte da ONG mencionada anteriomente, que está se criando em Lajeado no RS.

Como esta organização visa prevenir abuso sexual na infância e proteger vítimas, as  mulheres que também sofreram abuso sexual na infância, são uma peça muito importante neste projeto, para que estas também possam participar ativamente como agentes de prevenção de violência doméstica e abuso sexual, tendo condições e preparo para agir e atuar na melhoria da qualidade de relacionamentos familiares.

 

Não são somente as crianças e mulheres que saem perdendo com a violência doméstica e abuso sexual, mas também os homens que acabam com seus lares destruídos e infelizes em seus relacionamentos.

Quem causa violência ou se omite em colaborar para a erradicação da mesma, esta fazendo isso contra si mesmo!

 

Seja mulher ou homem, você também pode fazer parte deste grupo de pessoas que colabora para que este projeto aconteça.    

Você pode ajudar em muito, mesmo que sua contribuição seja em pequenas participações, atitudes ou ajuda de pequeno valor financeiro.

Basta querer doar um pouquinho do que você tem a outras pessoas que precisam de ajuda. Se muitos ajudarem, conseguiremos o bastante.

 

"O QUE VOCÊ DÁ EM BENEFÍCIO DE OUTROS, VOCÊ RECEBE EM RETORNO ATRAVÉS DA QUALIDADE DE VIDA QUE VOCÊ AJUDA A CRIAR NA SUA COMUNIDADE."

 

 

 

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