R-Evolução Anti Pedofílicos

 

2005

 

RETORNO AO BRASIL

 

 

 

No meu retorno ao Brasil, como foi divulgada minha intenção na atualização do site sob o título RECLAME A NOITE, fui eu mesma em busca de apoio emocional de familiares com quem ainda mantenho relações e em busca do reencontro com amigos.

Apesar de receber, tratamento e apoio em servicos e grupos da Australia, falta algo que precisamos como um tesouro em nossa vidas: a presença e contato com aqueles a quem amamos.

 

A distância e isolamento de estar em um país tão afastado com o qual tenho até hoje dificuldades em identificação tanto na cultura como na forma como as pessoas se relacionam, faz com que eu sinta muita falta das pessoas que me são importantes a com quem tenho laços afetivos.

As perdas causadas pelas traições de pessoas que me eram queridas, as sabotagens destas e decepções sofridas nos últimos anos, deixaram feridas e frustrações que custarão muito a ser curadas.

Além disso, o falecimento de meu padrinho que já estava doente há mais de doze anos, me deixou muito triste e carente.

É muito importante poder compensar estas perdas com aqueles que me sobraram e que me façam sentir amada e que me dêem o carinho de que tanto preciso.

 

Felizmente, não me faltaram pessoas que o fizessem com alegria e com os quais eu pudesse resgatar memórias preciosas, sentimentos e valores que fazem com que a vida valha apena ser vivida.

Festejei meu aniversário, Natal e Ano Novo no Brasil e foram as melhores comemorações que tive nos últimos dez anos da minha vida!

 

FORMAÇÃO DE UMA ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL

Existe um grupo de pessoas na cidade de Lajeado, no estado do Rio Grande do Sul, que de longa data já vem sonhando com a criação de uma organização não governamental que possa atuar junto a comunidade para educar, prevenir e combater o abuso sexual na infância, bem como assistir vítimas de todas as idades.

São pessoas envolvidas com a lida de vítimas de violência doméstica, incluíndo profissionais da polícia e justiça, serviços sociais, saúde, da área educacional e representantes de associações de bairros.

 

Na minha estada nesta cidade, tive a oportunidade de fazer parte de reuniões para discutir os passos e etapas a serem seguidos para que se possa fazer deste sonho uma  realidade.

As pessoas presentes se comprometeram em dar continuidade aos trabalhos que envolvam a elaboração dos estatutos com propósitos e objetivos desta ONG, bem como do encaminhamento do registro desta, para que assim, possa ser viabilizada a arrecadação de fundos tão necessários para que esta organização possa funcionar e atender a população alvo que necessite de seus serviços nesta comunidade.

 

ARRECADAÇÃO DE FUNDOS

Para que se pudesse viabilizar mais uma forma de conscientização, e de arrecadar fundos para beneficiar sobreviventes de abuso sexual na infância neste primeiro momento, enviei ao Brasil, como doação, camisetas de minha criação e autoria, para este propósito.

Algumas camisetas são da versão da língua portuguesa com o nome deste site: "R-EVOLUÇÃO ANTI-PEDOFÍLICOS". Mas, a maioria destas possuem a mesma imagem e tema que eu já havia usado na passeata RECLAME A NOITE aqui na Austrália no mês de outubro: "PARE O ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA".

Fizemos um sorteio de ação entre amigos para arrecadar fundos a serem destinados para uso de material educativo e benefícios do grupo de suporte que eu intencionava iniciar.

 

COLABORAÇÃO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

O interesse das rádios locais em participar deste tabalho de conscientização para esclarecer, educar e encorajar mudanças no comportamento das pessoas, no que diz respeito a violência sexual foi fantastico! Mais uma vez o querido amigo João Pedro Muller colocou o Grupo Independente a serviço dos interesses da comunidade. 

Participei de programas de entrevista e conversas de rádio juntamente com a psicóloga Valquiria Breier Lopes, em oportunidades muito valiosas junto as emissoras da Rádio Independente de Lajeado, através dos programas de Heron de Oliveira.

Também participamos de programas na Rádio Alto Taquari de Estrela, em entrevistas com os radialistas João Pedro Storck e Luis  Fernando.

 

Prestei esclarecimentos sobre meus propósitos pessoais de retorno ao Brasil, como também abordamos assuntos desde o esclarecimento do que é abuso sexual e sinais deste tipode violência. 

Discutimos também sobre a necessidade de uma educação sexual mais eficiente nas próprias escolas. Assim as crianças já aprendem desde cedo a lidar com os limites permitidos a sua privacidade. Da mesma forma, adolecentes deveriam ser educados para aprender mais do que simples biologia e anatomia humana da educação sexual nas escolas, mas que estes estudos abrangessem também relacionamentos sociais e psicológicos, olhando para problemas de experiências pessoais e aspectos familiares como violência doméstica e referências éticas. Desta forma, estes jovens estariam mais preparados para quebrar os ciclos de violência no Brasil quando adultos, aprendendo a prevenir que isso aconteça desde seus círculos de relacionamentos.

 

Fizemos um alerta para a proximidade e relação das agressões físicas na violência doméstica e no abuso sexual na infância. Pesquisadores têm observado que geralmente existe uma relação entre familias em que ocorrem espancamentos e outras formas de agressões físicas, apresentarem grande possibilidade de haver também imposição sexual a parceiras e abuso sexual na infância. Membros destas familias que usam formas fisica de violência para controlar outras pessoas mais vulneráveis, também usam frequentemente outras formas de controle, entre elas: chantagens emocionais, humilhações e imposições sexuais porque estas pessoas sentem prazer em subjugar as pessoas.

Chamamos a atenção dos ouvintes também para que tomassem conhecimento da seriedade do abuso sexual como a mais danosa forma de violência doméstica e que este tipo de violência está no topo de todas as formas de violência doméstica, podendo incluír geralmente todas as demais formas de violência.

 

Também, a sucursal da RBS de Lajeado divulgou no Caderno EVA (para a região do Alto Taquari somente), uma entrevista em que expús em conversa muito agradável com os tão interessados e atenciosos jornalistas Gisa e Daniel, os problemas das crianças vítimadas e sobreviventes adultas de abuso sexual na infância.

Chamei a atenção para os maiores problemas enfrentados para atingir sucesso no combate do abuso sexual na infância, que vão desde a estimulação sexual precoce a que as crianças são expostas através dos canais de TV, a cultura brasileira intensamente voltada para o sexo, falta de sensibilidade em geral na educação das pessoas, a falta de campanhas educativas específicas, os entraves da legislação, tabus, pressões familiares, sociais e religiosas.

Relembrei também meus objetivos de criação de consciência pública e a espectativas de melhoras através da educação, mudanças de atitude da sociedade, exigências de melhorias na legislação e o que se espera para o futuro neste sentido. 

 

CAPACITAÇÃO

O Brasil ainda está engatinhando no que diz respeito a como lidar com casos de abuso sexual na infância.

As pessoas e autoridades ainda estão “cruas” a respeito de conhecimentos neste assunto e ainda não estão seguras quanto a maneiras mais eficientes de procedimentos que tragam os melhores resultados para a proteção de vítimas e que garanta o sucesso para se colocar os ofensores na prisão.

Até recentemente, a falta de oportunidades para as autoridades lidarem com estes tipos de casos se devia justamente por causa do acobertamento familiar e das próprias vítimas, devido a crença de ambas as partes de que que tais abusadores devessem receber terapia em vez de prisão.

 

A própria legislação ainda enquadra os casos como “atentado ao pudor”, como algo que esteja relacionado a vergonha, em vez de considerar violência sexual na infância como uma agressão e atentado ‘a "integridade da pessoa". Não é dada a devida importância a seriedade e extensão do dano que  tal tipo de abuso representa e que pelo fato de envolver tortura psicológica, tem grande possibilidade de causar danos do mais profundo nível mental ou emocional.   

Muitos casos de abuso sexual na infância, têm sido um cenário de confusão ou uma competição a respeito de quem deva dirigir as ações, onde a falta de experiência apropriada em lidar com estes tipo de problemas e que pode criar ainda mais traumas nas vítimas e também desperdiçar oportunidades para condenar abusadores.

 

Não existe espaço para aqueles que tentam agir como heróis, já que a responsabilidade e a chance de acertar pode ser apenas uma! 

Uma vez que a criança passa a sofrer chantagens emocionais e é levada a acreditar que ela é a responsável pela destruição da família se ela confirmar o abuso, isso se torna o maior entrave para se conseguir desta a verdade sobre a existência do abuso.

Se as pessoas que se aproximarem das crianças para investigar casos de abuso sexual na infância não tiverem treinamento e experiência na lida deste tipo de problema, a oportunidade de se conseguir um depoimento e outras evidências confirmando o abuso poderão estar perdidas.

 

Assim, convidamos conselheiros tutelares de várias cidades da região do Vale do Taquari, para um encontro organizado pela Núcleo Consultoria Psicológica Empresarial, que se ofereceu e se dispôs a participar e organizar tal evento juntamente comigo, para apresentar e discutir junto com estes conselheiros assuntos relacionados com o propósito de criar esta conscientização. Foi frizada a importância de trabalharem como um time em conjunto com demais autoridades, limitando-se a suas funções, capacidades e responsabilidades, sem interferir ou agir de forma que colocasse em risco o sucesso do trabalho dos especialistas, para que os processos de investigação, abordagem e ações necessárias pudessem trazer os melhores resultados para a proteção das crianças, visando se evitar traumas e sabotagens ao máximo possível.

 

O objetivo maior desta discussão era justamente se conseguir que, através desta conscientização, tais conselheiro pudessem progredir, enfocando em problemas que ocorrem em casos de intervenção do abuso sexual na infância, explorando como melhorar a eficiência desta intervenção nestes trabalhos de equipe através de uso de metodologia, garantindo a segurança da criança e reduzindo as chances de sabotagem familiar, para se conseguir assegurar os interesses da criança em primeiro lugar.

 

O encontro foi companhado de textos traduzidos e adaptados de referências internacionais e brochuras de organizações que trabalham com proteção de crianças e mulheres, como a NAPSCAN, Centro Contra Violência da Gold Coast, Departamento de Famílias do Governo da Austrália, Departamento de Defensoria Pública de Justiça da Austrália, a ONG Bravehearth (Corações Valentes), ASCA (Organização de Sobreviventes de Abuso Sexual na Infância), referências de váriadas incluíndo livros mencionados neste site e minha própria experiência pessoal como sobrevivente, tentando combater abuso sexual em minha família há mais de 20 anos. 

 

Os presentes receberam um certificado de participação e o evento teve um número bastante significativo de conselheiros das cidades vizinhas de Bom Retiro do Sul e de Cruzeiro do Sul, que mostraram grande interesse e apreço pelo assunto e a oportunidade de adquirirem novos conhecimentos na área.

 

GRUPO DE SUPORTE

Também consegui dar continuidade a minha intenção de desenvolver um trabalho inédito junto a mulheres sobreviventes de abuso sexual na infância, através da criação de um grupo de suporte que tanto se fazia necessário para atender 'aquelas que também  ansiavam por receber compreensão, apoio e poder resgatar suas dignidades e poder olhar para o futuro de forma mais positiva.

Estou dedicando um capítulo especialmente a este assunto, conforme pode ser visto e acessado no índice de títulos.

 

PERSPECTIVAS DE TRATAMENTOS E APOIO A SOBREVIVENTES

No Brasil, as sobreviventes de abuso sexual na infância ficam abandonadas ou limitadas ao sigilo e isolamento da consultas terapêuticas privadas que por si só já são um privilégio que somente pessoas de maior poder aquisitivo, ou aquelas que muitas vezes sacrifiquem suas economias a extremos, podem se dar ao luxo de ter.

 

As promotorias de justiça encaminham somente vítimas que estejam sob a proteção do estatuto da criança e do adolecente para serem atendidas através de custas do estado, e assim que completam maioridade, estas ficam desassistidas, a não ser que as mesmas disponham de recursos financeiros próprios para continuar a receber tratamento pago particular.

Da mesma forma, o não reconhecimento da legislação em relação a extensão dos danos de saúde, principalmente no aspecto psicológico faz com que as vítimas que tenham atingido maioridade e que tenham espirado o prazo para reclamatória de indenizações privadas, fiquem sem perspectiva de ajuda por parte das autoridades brasileiras, como acontece comigo e tantas outras vítimas de Rogério Nonnenmacher. Até mesmo vítimas deste pedofilico, que hoje podem ser beneficiadas pela legislação, na eventualidade de adoecerem emocionalmente anos mais tarde, no futuro estas estarão desassistidas.

 

Não tenho conhecimento de que existam no Brasil organizações ou grupos que assistam especificamente mulheres adultas sobreviventes de abuso sexual na infância para recebimento de terapias ou encontros de grupos de suporte específicos nesta área.

Ao meu ver, isso é resultado da falta de envolvimento da própria população que se esconde do tabu e evita o assunto por preconceito, pois o problema geralmente se origina dentro das próprias familias, vindo acompanhado de culpas e vergonha.

 

Se houverem organizações específicas ou serviços gratuitos ou patrocinados, para tratarem de mulheres ou homens sobreviventes de abuso sexual na infância e do quais eu não saiba, faço aqui um convite para que estes sejam divulguados no guestbook deste site, para que mais pessoas possam tomar conhecimento e serem beneficiados neste sentido.

 

A maioria dos tratamentos podem ajudar em momentos de crise e prevenção de risco de suicídio.

Entretanto a não resolução do quadro abusivo familiar, impede ou retarda a melhoria do paciente e até reativa as causas das crises e conflitos emocionais que podem se estender por anos ou pelo resto da vida.

 

Há anos atrás, enquanto eu ainda residia no Brasil, mudei de terapeuta para me tratar com um médico que atuava junto a Cruz Vermelha Internacional em Porto Alegre e que afirmava conduzir grupos de sobreviventes e familiares de vítimas de incesto, dos quais ele me fez acreditar na oportunidade de participar. Mas após longo período de tratamento me dei conta de que a promessa jamais seria cumprida.

Sabendo que eu buscava justamente este tipo de interatividade e quebra do isolamento da terapia tradicional, este médico, infelizmente, usou tal expectativa minha como um gancho para que ele pudesse conseguir mais uma paciente particular e até outras pessoas na minha família como pacientes também.

 

O comportamento de muitos destes profissionais fica mais facil de ser questionado quando estamos em contato com outras pessoas que assim como nós, buscam as formas mais eficientes de tratamento e soluções dos problemas que enfrentamos.

Temos o direito de exigir uma melhoria de qualidade na forma como as pessoas lidam conosco em que a nossa vida está em jogo e especialmente quando estamos depositando nossa confiança, espectativas e também para muitos, o dinheiro que as pessoas precisam para seu próprio sustento!

Os tratamentos tradicionais, em geral reproduzem de certa forma o isolamento criado dentro das familias onde os abusos acontecem, impedindo que pacientes possam tomar conhecimento da existência e da experiência de outras pessoas que confrontam os mesmos problemas, impedindo a busca de terapias mais efetivas, não possibilitando o questionamento da ética médica, não tendo acesso a conhecimento de melhores profissionais e criando uma dependência do paciente ao médico através do controle destes que usam medicamentos como principal solução no tratamento de ansiedades e depressões em vez de trabalhar a origem do problema, e principalmente em como eradicar efetivamente os abusos na familia.

 

Eu felizmente me livrei dos antidepressivos desde que deixei o Brasil há dez anos atrás e o não uso destes não impediu que eu atravessasse minhas crises com sucesso ou que pudesse me manter lúcida, nem me impedindo de avaliar e reconhecer os reais problemas que envolviam os abusos na minha familia. 

Acredito hoje que, eu talvez eu não tenha tido minha condição emocional ainda mais agravada, apesar das muitas dificuldades que passei com os problemas familiares e também para me estabelecer num país estrangeiro, o que foi muito sofrido, foi justamente por não ter estado sob os efeito de antidepressivos. Infelizmente se sabe hoje que estes levam muitas pessoas a piorarem em seus estados emocionais e acabam sendo as causas de suicídios em muitos pacientes. Na Austrália estes medicamentos se tornaram inclusive proibidos para o uso em crianças.

Mas, posso  afirmar que estando limpa do uso destas drogas, eu finalmente consigo estar em melhor sintonia comigo mesma e principalmente com meus sentimentos, sejam eles de tristeza ou de alegria.

Não existe antidepressivo que substitua a resolução dos problemas que causam nossas angústias e sofrimentos.

 

TRABALHOS E PROJETOS EXISTENTES

Existem algumas universidades brasileiras que desenvolvem pesquisas e trabalhos muito importantes de capacitação, serviços e pesquisas para combate aos maus tratos na infância.

Tive a feliz oportunidade de conhecer pessoalmente representantes do Laboratorio de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (LACRI-IPUSP) em 2004, quando estas estiveram em Brisbane, na Austrália, participando do encontro internacional do IPSCAN, onde vieram apresentar o trabalho do projeto campanha “CRESCER SEM PALMADA” que visa conscientizar as pessoas sobre as consequências das agressões fisicas a crianças.

 

 

                                                            www.usp.br/ip/laboratorios/lacri

 

A UNISINOS também divulgou um projeto em que esta prestava assistência psicológica gratuita para vítimas de abuso sexual na infância, trabalhando em conjunto com promotorias de justiça e tem desenvolvido pesquisas nesta área, em que um dos achados mais importantes destas pesquisas é justamente a "desmistificação das mães" que eram consideradas como não conhecedoras dos abusos, mas sim concluídas como co-autoras pelo seu encobrimento e sabotagem na proteção de suas crianças.

Eu que o diga, por experiência própria e também conhecimento de tantos outros casos frustrados de tentativa de condenação dos ofensores:

Com raras excessões, as mães das vítimas são as maiores responsáveis pelo acobertamento e sabotagem dos casos de abusos de suas crianças.

 

Se estas mulheres realmente amassem suas crianças, não haveriam pressões de qualquer natureza que as impedisse de buscar socorro para suas crianças e de protegê-las. Isso não e' amor e o resto é hipocrisia!

Estas crianças, assim com eu, um dia irão crescer... e um dia elas também terão a oportunidade de ler este site... 

 

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) também possui um serviço de atendimento muito importante e que a maioria das pessoas não tem conhecimento. Esta universidade possui uma equipe muito eficiente de profissionais e peritos para avaliações e para assistir vítimas de violência sexual, bem como também monitorar tratamentos para estas e alguns tipos de abusadores.

 

Esta equipe inclui peritos capacitados para também assistir, treinar e preparar autoridades para avaliar e conduzir processos jurídicos que envolvam violência sexual.

Tivemos o privilégio de ter a representação e participação da UFRGS na nossa “Caminhada Contra Violência Sexual- Um alerta a comunidade” realizado em Lajeado em 2004 e também no debate aberto ao público ocorrido nesta oportunidade.

     

Infelizmente, como todas as instituições que dependem de verbas governamentais, esta também carece da falta de atenção pela importância que representa, ficando a mercê da burocracia da máquina administrativa federal para liberação de verbas que são tão importantes para que tais profissionais possam colocar em prática e com maior eficiência o trabalho brilhante que tem sido desenvolvido em seus projetos e laboratórios de pesquisas e de atendimento.

Para conhecer mais a respeito destes projetos e da equipe, acesse os links abaixo:

 

http://www1.ufrgs.br/extensao/salaoextensao/mostra/vis_acao_mostra.asp?CodAcaoExtensao=6156

 

http://www1.ufrgs.br/extensao/salaoextensao/mostra/vis_acao_mostra.asp?CodAcaoExtensao=6184  

 

Durante minha estada em Porto Alegre em Janeiro de 2006, tive também a feliz oportunidade de ter um encontro com um dos grupos feministas que atuam participativamente nesta comunidade.

O COLETIVO FEMININO PLURAL, faz um trabalho de conscientização muito importante e já ofereceu algum tipo de assistência a vítimas de violência doméstica e sexual, mas que tem dificuldades em dar continuidade a este serviço pois carece de assistência da própria comunidade em termos de envolvimento de pessoas e verbas.

 

Seria importante que as pessoas se conscientizassem que organizações como esta se dispõem a levar adiante uma assistência mais direcionada, mas é preciso que haja um maior envolvimento e participação da própria comunidade, incluíndo a participação de mais profissionais das áreas de saúde, psicologia e área juridica, bem como de fundos e espaços diponíveis para a viabilização deste tipo de trabalho.

 

 

                                                                                    www.femininoplural.pop.com.br

 

O Coletivo Feminino Plural também esteve envolvido no desenvolvimento do trabalho do maravilhoso documentário CANTO DE CICATRIZ, que faz parte do projeto REDE MENINA, em parceria com a RBS e outras entidades que atuam nesta área, bem como profissionais de psicologia, artistas, legisladores e o testemunhos de sobreviventes, buscando conscientizar, educar e desmistificar a imagem distorcida que a população em  geral tem a respeito das circunstâncias que envolvem a violência sexual contra meninas e das consequências na vida desta mulheres hoje.

 

 

   

 

ABUSO SEXUAL: ASSUNTO DE ESTADO

Infelizmente, não existe ainda no Brasil a conscientização de governantes, legisladores e jurista, quanto as consequências sociais e econômicas que o abuso sexual na infância exerce sobre o país. Os poucos legisladores e juristas que promovem e alertam para isso, não têm conseguido o sucesso necessário para mudar a situação calamitosa da legislação.

A própria constituição brasileira impede que muitos dos projetos apresentados não possam ser aprovados para diminuir todos os níveis de violência no país.

A constituição brasileira foi moldada para proteger criminosos!

 

Apesar de já haver o reconhecimento da organização mundial de saúde de que a depressão é a doença que atinge o maior número de pessoas no novo século, poucas pessoas ainda se dão conta de que as maiores causas desta doença têm origens justamente na violência doméstica e entre elas a mais danosa de todas, que atinge uma em quatro meninas e um em sete meninos é o abuso sexual na infância.

 

Poucos também se dão conta, de que esta consequência do abuso sexual na infância é um dos maiores entraves para o pleno desenvolvimento das pessoas, no seu aprendizado, relações humanas e sucesso profissional e consequentemente do seu país.

 

Com tantas pessoas sofrendo de depressão como consequências de violência sexual, o Brasil possui uma "multidão" de deprimidos, desassistidos e desesperançosos, que não conseguem lutar por seus direitos, fazer as escolhas certas em suas vidas, na escolha de seus representantes, nos seus negócios e relacionamentos tanto pessoais como profissionais.

Se propagam ainda mais a violência, a pobreza, os divórcios e a infelicidade, pois a maioria destas pessoas também não conseguem se relacionar de forma saudável, não conseguem aprender ou estudar eficientemente e não conseguem produzir ou usar seu potencial e talentos.

 

Como se pode ver, o aumento da pobreza não tem origens puramente em fatores econômicos, mas está principalmente ligado a saúde emocional das pessoas. Isso empobrece o país num sentido ainda mais amplo.

Não são somente as vítimas da violência sexual que saem perdendo com isso e com o descaso das autoridades, mas TODA A NAÇÃO.

 

Com esta falta deste reconhecimento, são raras no Brasil campanhas educativas e muito mais raros ainda serviços assistênciais gratuitos para pessoas adultas que precisem de apoio emocional ou assistência psicológica, bem como para serem acompanhadas ou assitidas emocionalmente, tanto quanto em processos judiciais que envolvam reclamatórias de violência doméstica ou sexual a mulheres adultas ou aquelas que tenham que proteger crianças destes tipos de violência.

 

O governo australiano reconhece já há muito tempo o preço que a violência doméstica e sexual repercute na limitação do desenvolvimento do país. São bilhões de dólares que deixam de ser produzidos por ano, por causa de pessoas que sofrem de depressão e que não conseguem trabalhar e produzir eficientemente.

Como vítima de abuso sexual na infância eu recebo assistência terapêutica gratuita, pois estando bem emocionalmente, sou vista como uma profissional que possa reverter em produtividade para o desenvolvimento econômico do país. O país recebe em retorno muito mais do que o investimento que faz em cada pessoa como eu.

 

SUGESTÃO

De uma brasileira a outros brasileiros, vai aí mais uma sugestão minha.

Já que existem tantas dificuldades relacionadas a controles de problemas administrativos e de desvios de verbas na esfera governamental brasileira, sugiro que seja apresentado um projeto de lei em que todo profissional que prestar serviço voluntário de assistência social ou pública a intituições de atendimento desta natureza, possa ser ressarcido por seus serviços através de pagamento de devolução de imposto de renda, pois este estaria prestando um servico social que deveria ser de responsabilidade governamental.

 

Isso, encorajaria a população a ser mais participativa, pois a dedicação de tempo e disposição de profissionais capacitados não afetaria sua fonte de renda e sobrevivência financeira, o que também daria a própria população a oportunidade de resolver com mais agilidade e autonomia os problemas que caso contrário dependeriam de projetos por parte da união. Assim como existe o ressarcimento de doações de dinheiro a instituições sociais ou de caridade que possam ser deduzidas do imposto de renda, as pessoas poderiam ser beneficiadas desta forma ou ser ressarcidas por doar seu trabalho neste sentido.

 

"Se os administradres da nação não conseguem desempenhar suas obrigações com o povo, que não impeçam então que as próprias comunidades possam ter autonomia e instrumentos para atender suas necessidades e direitos."

 

 

 

 

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