R-Evolução Anti Pedofílicos

 

2005

 

DIA DOS PAIS

 

 

 

 

2005 FIG-1*_A Imagem abaixo, é referência de evidência das acusações deste website e mostra notícia de parte do jornal "O INFORMATIVO" da cidade de  Lajeado, RS, por ocasião em que Rogério Nonnenmacher recebeu novo mandato de prisão pelo STJ do Estado do RS, em 2005. Data: Quinta-Feira 04 de Agosto de 2005 - Ano XXXVI - 7787.

 

 

 

 

 

O texto publicado nesta oportunidade, escrevi como mais uma das muitas análises que tenho relatado com a intenção de publicar um livro de memórias e minha história de evolução para me libertar das consequências dos abusos sexuais sofridos na infância.

Entretanto, achei que seria de fundamental importância que eu publicasse esta parte na presente data, pelo momento de significância que este representa, pelo fato de meu pai ter voltado a ser preso e por isso ter acontecido novamente tão próximo a data de comemoração do dia dos pais.

Como a maioria dos abusadores são pais, estou antecipando esta publicação especialmente em homenagem a milhões de pessoas, que assim como eu estive um dia, estão sedentas por receber ajuda em como lidar com seus sentimentos conflituados nesta data que nos é tão dificil de lembrar.

Gostaria de poder através desta, compartilhar com outros(as) sobreviventes, como eu me senti por ocasião do dia dos pais, de como e porquê isso pode acontecer conosco.

 

Ao elucidar as armadilhas com as quais nós sobreviventes nos confrontamos, percebemos o quanto somos afetados pelos traumas, ensinamentos e pressões religiosas que nos reabusam emocionalmente, nos impedindo de dar nosso grito de liberdade e dificultando nossa tentativa de buscar a cura para as feridas emocionais dos abusos sexuais sofridos.

 

Quando vi a foto de meu pai sendo preso, publicada em um jornal, através da internet, por ocasião da notícia do deferimento do cancelamento de sua prisão preventiva, fui golpeada  pela imagem de seu olhar assustado e a expressão temerosa de seus lábios apertados. Me surpreendi sentindo pena dele!

O sentimento de pesar por aquela figura miserável de um coitado encurralado, fez com naquele momento eu me sentisse ruim, pois fora eu quem o denunciara…

 

Isso aconteceu no fim de semana em que era comemorado o dia dos pais no Brasil e enquanto tantas outras pessoas celebravam seus pais, eu me sentia duplamente agredida ao ter que aguentar ver que outras pessoas tinham seu pai em primeira página de jornais, enquanto a visão que eu tinha de meu pai era deste sendo preso.

Este era o pai que eu tinha para lamentar, em vez de festejar. Me sentil mal emocionalmente e nauseada com a imagem do pai que eu via, especialmente neste dia.

Ao olhar para aquela figura triste, eu falava a ele como se ele pudesse me ouvir: Veja só o que fizeste de ti, meu pai. Como tudo poderia ter sido diferente…

 As lágrimas brotavam de meus olhos e meu coração apertado sofria.

 

Foi naquele momento, em que vi a mão dele no bolso, que me voltou a lucidez.

A mão que ele escondida, era o símbolo da verdade que ele escondia, que veio me lembrar que a sua cara de coitado não passava de uma máscara para continuar a enganar as pessoas e, que se eu não o houvesse o denunciado, imagino o que esta mão estaria fazendo, se ele continuasse a ter liberdade de estar sozinho com uma criança indefesa…

Lembrei também, de o quanto eu vinha me sentindo deprimida, desesperançada e sofrendo desde que meu pai havia sido solto, por um “hábeas corpus”, há pouco mais de um mês, bem como das mentiras que ele espalhava a meu respeito para as pessoas.

 

Como num relâmpago, fui acomedida por memórias de minha infância. Eu podia ver fixa em minhas retinas a imagem de meu pai chorando e dizendo que me amava, enquanto ele também insistia que eu jamais contasse a ninguém sobre os “carinhos”, na forma de abusos sexual que ele me infringia, pois ele me alertava que seria preso se eu o fizesse.

É triste ter que admitir hoje a mim mesma, que as lágrimas dele não eram de amor por mim, mas uma preocupação egoísta dele consigo mesmo, pois ele tinha mêdo de ser flagrado e punido.

 

Percebi então, de onde vinha aquele sentimento de pena que fazia com que eu me sentisse ruim e culpada de vê-lo naquela situação vexatória.

Além de minha inocência, quando eu era criança, de negar a mim mesma o monstro que eu tinha por pai, fora ele quem havia fomentado tal sentimento de pena por ele, usando de sua covardia para me convencer a aceitar a transferência da culpa de seus erros para mim.

Quem estava se manifestando naquele momento era meu “eu criança", a quem meu pai ensinara a carregar a responsabilidade  do dano que ele mesmo causara a si próprio, a mim e a minha familia.

 

Tomei consciência então, de que mais uma vez, esta era uma reação dos muitos traumas que ele me causou, que vinha a tôna naquele momento e que continuariam a se manifestar pelo resto de minha vida.

Olhando para a sua foto novamente, disse a ele então:

 

“Tu és o único responsável por estares sendo preso pois, a culpa do que está acontecendo contigo é exclusivamente tua. Tu mereces passar o "Dia dos Pais" na cadeia e também o resto de teus dias!

Hoje, tu não me enganas mais e não vais mais me usar para carregar a tua culpa.

Aprendi a estar alerta para a armadilha emocional na qual tentaste me aprisionar.

Tu não mereces que eu sinta pena de ti.”

 

 

 

 

 

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